Operação expõe ligação do PCC com sistema financeiro e necessidade de atuação do Exército no combate ao tráfico

Soldados camuflados | Créditos: Reprodução/Metrópoles


O historiador Francisco Carlos Teixeira, da Universidade Federal Fluminense, aponta que a Operação Carbono Oculto revelou a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema financeiro brasileiro, incluindo fintechs da Faria Lima, em São Paulo. Para ele, o caso evidencia a necessidade de ações coordenadas na faixa de fronteira com Bolívia e Paraguai, principal rota do tráfico de cocaína para o país e para o exterior.

Teixeira defende que as Forças Armadas possam atuar como apoio à Polícia Federal na região, mas alerta que a legislação brasileira limita a eficiência dessas operações ao colocar o Exército como força principal. Segundo ele, a facção cresceu enquanto o Estado focava apenas em crimes de rua, permitindo que o PCC se consolidasse como uma “holding de crimes” com investimentos em postos de gasolina, importação, exportação e fintechs.

O historiador também destaca repercussões políticas e internacionais da operação. A ação teria fortalecido a tramitação da PEC da Segurança e afastado a possibilidade de intervenção dos Estados Unidos, que cogitavam classificar o PCC como grupo terrorista. Teixeira alerta, porém, que a presença militar americana na Venezuela mantém risco geopolítico para a região.

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