Operação Dirty Pix prende três e investigação aponta repasses via Pix a vereadores de Sidrolândia

| Créditos: Reprodução/ Investiga MS


A segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada nesta quarta-feira (7), resultou na prisão de três pessoas e no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.

Entre os presos estão Jacob Meeuvis Breure, presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa; Cristina Rosa Gomes de Carvalho, policial civil e suplente de vereadora; e Júlio César Alves da Silva, apontado nas investigações como assessor e articulador político.

A investigação conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gecoc e do Gaeco, apura possíveis desvios de recursos públicos destinados ao hospital de Sidrolândia. Os valores investigados em diferentes convênios ultrapassam R$ 18 milhões.

Segundo a apuração, Júlio César Alves da Silva teria recebido R$ 482,5 mil de empresas investigadas. Parte desse dinheiro teria sido posteriormente transferida para terceiros e, conforme os investigadores, chegado a vereadores por meio de operações via Pix.

Entre os repasses mencionados na investigação está uma transferência de R$ 50 mil para a conta da filha de Júlio César. Posteriormente, ela teria repassado R$ 70 mil a quatro vereadores, entre eles Ademir Gabardo, Cristina Fiúza e Enelvo Felini Júnior. Também teria ocorrido uma transferência de R$ 20 mil para Adriana Zarati Franco Brandão, esposa do vereador Adavilton Brandão, além de outros Pix de R$ 5 mil envolvendo vereadores.

A apuração teve início após suspeitas relacionadas à utilização de recursos destinados à compra de um aparelho de ressonância magnética e de uma autoclave para o Hospital Dona Elmíria. Na primeira fase da operação, realizada em novembro de 2025, o MPMS informou ter identificado R$ 5,4 milhões em recursos públicos supostamente desviados.

Com o avanço das investigações, surgiram indícios de possíveis irregularidades também em outros convênios envolvendo aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, uma UTI móvel e obras de reforma da unidade.

De acordo com o Ministério Público, os investigadores identificaram planos de trabalho com informações consideradas fraudulentas, possível superfaturamento e direcionamento de contratos para empresas previamente relacionadas ao grupo investigado. Parte dos recursos, após chegar às contas da entidade hospitalar, teria sido movimentada por meio de transferências diretas e indiretas para agentes políticos, intermediários e outras pessoas.

A segunda fase da Operação Dirty Pix busca ampliar a coleta de provas, esclarecer a movimentação dos recursos e identificar a participação de cada investigado nos fatos apurados. As acusações ainda estão sob investigação e deverão ser analisadas no curso do processo judicial.

Compartilhe: