Operação Auditus: bebê de 11 meses aparece em lista de atendimento e dois mortos teriam passado por angiologista
- porRedação
- 14 de Agosto / 2026
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Cinco pessoas foram presas no âmbito da Operação Auditus, ação conjunta do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que apura irregularidades na contratação de serviços de saúde do município de Nioaque. O esquema resultou em um prejuízo estimado de R$ 4 milhões aos cofres públicos.
A apuração apontou que cerca de 83% das consultas e exames faturados entre 2022 e 2025 eram simulados. No período, os gastos municipais com serviços médicos registraram uma disparada de 1.713%. Entre as irregularidades identificadas estão falsificações de assinaturas de profissionais de saúde e de pacientes, incluindo o registro de atendimentos atribuídos a duas pessoas já falecidas e a crianças de 11 meses e três anos de idade.
A auditoria também detectou procedimentos incoerentes com a faixa etária dos beneficiários — como a indicação e inserção do dispositivo intrauterino (DIU) em mulheres com mais de 50 anos —, testes auditivos infantis que mães confirmaram nunca terem ocorrido e divergências de grafia nas assinaturas de um mesmo paciente em prontuários distintos.
Conforme o relatório investigativo, a elaboração das relatórios e listas de exames fictícios ficava a cargo dos responsáveis pela clínica médica contratada, sediada na cidade vizinha de Jardim. Os documentos eram posteriormente repassados à então secretária de Saúde do município, que autorizava os pagamentos integrais sem a realização de conferências, justificativas clínicas ou comprovantes de atendimento.
Ao todo, cinco mandados de prisão foram cumpridos contra os proprietários e a gerente da clínica privada, a ex-gestora da pasta de Saúde e um ex-secretário de Governo do município. Um dos proprietários do estabelecimento, que também atua como médico-legista do Estado, foi suspenso de suas funções públicas por determinação judicial.






