“O Silêncio do Falcão e a arte de planar acima da tempestade”
- porAlcina Reis
- 20 de Julho / 2025
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| Créditos: Reprodução/Redes Sociais
No tabuleiro da política sul-mato-grossense, cada peça se move com cuidado, mas poucas o fazem com a destreza do ex-governador Reinaldo Azambuja. De olhar aguçado, próprio das aves que sobrevoam o cenário antes de atacar ou recuar, Reinaldo parece ter encontrado no silêncio a sua mais estratégica arma. Enquanto os bolsonaristas gritam perseguição, Alexandre de Moraes vira o vilão de sempre e o capitão veste tornozeleira, o tucano recém-filiado ao PL preferiu comentar... chipa com café.
Sim, chipa. O salgado paraguaio virou mais relevante nas redes de Reinaldo do que o drama do ex-presidente que, se depender dos seus aliados, ainda sonha em virar mártir da República.
Reinaldo não comentou a "humilhação suprema” de Bolsonaro, tampouco fez coro às vozes da indignação digital. Enquanto os seguidores esperavam uma nota de apoio ou um aceno de solidariedade, ele entregava tratores e agradecia genericamente ao “Governo federal”, sem mencionar Lula — nome que, para os novos colegas de PL, parece palavrão.
Talvez este seja o segredo do ex-governador: agir como se a tempestade não fosse com ele, fazer cara de paisagem quando o mundo político desmorona à sua volta. Afinal, em tempos de polarização, ser neutro também é estratégia — e das mais frias. Como um general que observa a batalha de longe, Reinaldo calcula cada passo. A hora de falar, de calar, e principalmente, de escolher a quem se aliar e quando fazê-lo.
O silêncio, neste caso, fala mais alto que qualquer tuíte inflamado.
Cotado para ser o “senador do Bolsonaro” em 2026, ele ainda parece medir se vale vestir a camisa do time bolsonarista ou manter a plumagem tucana intacta até onde for possível. Afinal, mais do que gritar, sobreviver em Brasília exige o dom raro de não se queimar antes da decolagem.
Enquanto isso, os bolsonaristas mais fieis — e abandonados — seguem sozinhos em sua indignação. E Reinaldo? Reinaldo segue comendo chipa, voando alto e em silêncio.
Por Alcina Reis






