O Peso da Espera e a Covardia do Balcão

| Créditos: IA /Conteúdo MS


Hoje acordei cedo com várias reclamações sobre a questão da saúde. E, confesso, comecei o dia pensando naquela velha pergunta que nunca deveria precisar ser feita: até quando o cidadão vai ter de esperar para ter acesso àquilo que já é seu por direito?

Uma das histórias que ouvi foi a de um trabalhador que sofreu um acidente e precisou recorrer ao INSS para conseguir o benefício por incapacidade temporária. O pedido pode ser feito pelos canais digitais do instituto, mas, na prática, há segurados que enfrentam uma longa espera até a conclusão do processo.

E aí vem a pergunta que ninguém consegue responder com burocracia: durante esse tempo, ele come como? Paga aluguel como? Compra remédio como? Coloca comida na mesa de que jeito?

A outra reclamação veio de uma senhora que contou ter sua aposentadoria suspensa inesperadamente em janeiro. Desde então, segundo ela, vive uma verdadeira peregrinação para tentar recuperar o benefício. E a pergunta volta, ainda mais cruel: como uma pessoa sobrevive quando aquilo que deveria garantir sua dignidade simplesmente deixa de chegar?

Para quem está atrás de um balcão, talvez seja apenas um processo. Para quem espera, é a vida inteira parada.

É claro que existem regras, perícias, análises e procedimentos. O problema é quando a burocracia parece esquecer que, do outro lado da tela, do telefone ou da repartição existe um ser humano. Alguém que não pode simplesmente apertar o botão "aguardar" na vida real.

E enquanto o cidadão comum enfrenta filas, documentos, protocolos e meses de espera para receber aquilo que precisa para sobreviver, surgem notícias que provocam uma indignação ainda maior.

Investigações recentes revelaram um escândalo indignante: a manipulação do sistema de regulação da saúde do Estado para fraudar licitações em um esquema milionário. Chegaram ao absurdo de usar o acesso a leitos hospitalares, exames e cirurgias de urgência do SUS como chantagem e "moeda de troca" para empurrar contratos de compra de livros e desviar cerca de R$ 27 milhões do erário. Ex-chefes da regulação agiam com o pensamento brutal de "eu tranco aqui", barrando ou liberando a saúde de pacientes de acordo com os seus próprios interesses financeiros e propinas.

Saber que vidas foram colocadas em risco e que a dor do povo serve de barganha econômica provoca uma mistura de profunda indignação e ira. Ver como alguns funcionários públicos e gestores são extremamente covardes causa um nó na garganta. Pessoas sem o menor pingo de empatia moral utilizam seus cargos e poderes temporários para tripudiar sobre os mais vulneráveis. Deveriam, sem dúvida alguma, já estar todos presos e pagando exemplarmente por cada vida prejudicada.

É impossível não sentir indignação.

O cidadão espera pelo INSS. O trabalhador espera pelo benefício. O aposentado luta para reaver sua renda. O paciente espera por atendimento. A família espera por uma cirurgia. E, no meio dessa espera toda, ainda precisamos conviver com notícias de investigações sobre possíveis desvios e esquemas envolvendo justamente aquilo que deveria ser sagrado: o dinheiro público e a saúde das pessoas.

Não é apenas dinheiro. São vidas.

As eleições se aproximam e, sinceramente, espero que o eleitor não perca sua memória no momento em que estiver diante da urna. Que a dor de quem esperou, a fome de quem ficou sem benefício e a vergonha dessas fraudes sejam o combustível necessário para mudar essa realidade.


Tudo precisa Mudar! Sim, eu disse TUDO!

Por Alcina Reis

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