O fim do extremismo começa com o fim da idolatria política

| Créditos: Reprodução/dedemontalvao


O cenário político brasileiro tem sido palco de uma polarização intensa e preocupante, onde o extremismo, seja à direita ou à esquerda, parece encontrar terreno fértil. No centro dessa questão, surge uma verdade incômoda: o extremismo político só arrefecerá quando a idolatria por políticos for superada. As defesas inflamadas de muitos, infelizmente, não são motivadas por causas em benefício do bem comum, mas sim por uma devoção cega a figuras como Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa devoção, por vezes, alcança níveis perturbadores. Brigas, discussões acaloradas e até ameaças de morte têm se tornado comuns, com episódios lamentáveis de violência física já ocorridos e persistindo. Tais ações são impulsionadas por indivíduos que, de forma alarmante, parecem acreditar que o "salvador da pátria" está acima de tudo, inclusive de Deus. O lema "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", popularizado durante o governo Bolsonaro, ironicamente, na prática, muitas vezes não se refere à divindade, mas sim à figura do líder político.

É notório que grande parte dos apoiadores de Bolsonaro é de origem evangélica, uma religião que, em sua essência, abomina a idolatria. Contudo, paradoxalmente, muitos desses fiéis, sem perceber, incorrem em uma forma de idolatria ao colocar o político em um pedestal inquestionável. 

No caso de Lula, a estratégia populista se apoia na velha máxima do "pobre contra o rico", evocando um sentimento de identificação e pertencimento: "Eu não sou um presidente da República que está junto do povo. Eu sou o povo que está na Presidência da República deste país por conta de vocês".

Apelos como esses sempre foram utilizados por lideranças políticas, mas jamais com um poder tão avassalador de "emburrecer" o eleitor a ponto de obliterar sua capacidade de enxergar além do seu "político de estimação". 

A sanidade mental e a consciência cívica precisam ser urgentemente restabelecidas. Após todo o caos e os acontecimentos recentes que têm levado o Brasil a uma situação delicada, é imperativo que a população clareie a mente e compreenda que são as necessidades do povo que devem ser atendidas, e não os caprichos de populistas.

É tempo de abandonar a adoração a líderes e focar nas pautas que realmente importam. Somente quando a idolatria política for desfeita, poderemos pavimentar o caminho para um debate público mais construtivo e, consequentemente, para um futuro mais próspero e menos polarizado para o Brasil.

Por Alcina Reis

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