
| Créditos: Reprodução/Todos Pela Educação
É um verdadeiro absurdo. Enquanto as escolas de Mato Grosso do Sul enfrentam diariamente problemas estruturais, falta de recursos e dificuldades para oferecer um ensino digno, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) retira do Pacto Nacional pela Retomada de Obras nada menos que 38 obras paradas da Educação Básica no estado. São 20 municípios castigados com a interrupção dos repasses federais por não cumprirem exigências burocráticas ou sequer aderirem ao programa criado em 2023.
A situação se agrava ainda mais quando percebemos que outras 19 obras, algumas já recebendo verba federal, tiveram seus projetos simplesmente cancelados nos últimos dois anos. No Brasil, quase metade das obras de educação que deveriam melhorar a infraestrutura das escolas estão travadas, com o risco iminente de devolver R$ 3,6 bilhões aos cofres públicos. Uma quantia bilionária que poderia transformar realidades, mas que escapa por entre os dedos das gestões municipais e estaduais.
É frustrante constatar que, em meio a tantas demandas urgentes, a atenção de quem deveria cuidar da educação — incluindo a Secretaria de Estado de Educação — parece negligente. Qual a competência ou a prioridade atribuída a essa pasta? Enquanto não houver uma mudança séria nessa postura, a qualidade da educação seguirá em declínio, e as consequências serão pagas por toda a população.
Por quê? Porque a educação é a base para o desenvolvimento social, econômico e até da segurança pública. Falhar com as escolas significa gerar uma população cada vez mais vulnerável, com menos oportunidades e maior exposição a problemas como o aumento da violência. Sem investimentos e gestão eficaz, a insegurança cresce, e o governo é incapaz de enfrentar os desafios que surgem — gerando uma fatura cara, que a sociedade inteira acaba pagando.
Enquanto os recursos são cortados, obras são abandonadas e políticas públicas patinam, a população assiste a esse cenário com preocupação e indignação.
A educação não pode mais ser vista como gasto supérfluo ou problema distante. É o pilar do futuro. E enquanto os governantes continuarem a ignorá-la, nada na segurança pública terá solução definitiva — porque uma sociedade sem educação é uma sociedade à deriva.
Que essa realidade escancare para os responsáveis pelo setor o quão urgente é assumir compromissos reais e transparentes com a educação. Que parem de perder tempo com burocracias e descaso, e comecem a investir no que verdadeiramente importa: o futuro das crianças e jovens de Mato Grosso do Sul e do Brasil.
Por Alcina Reis

Jornalista Alcina Reis | Créditos: Arquivo pessoal






