Nova regra do BC pode obrigar Nubank a alterar nome da marca

| Créditos: Instagram/Reprodução/GazzConecta


O Banco Central do Brasil (BC) anunciou uma nova diretriz que restringe a utilização dos termos "Banco", "Bank" ou "Banking" na denominação e publicidade de instituições financeiras que não possuam o estatuto oficial de banco. A resolução atinge entre 15 e 20 empresas do setor, que terão o prazo de 120 dias para apresentar um plano de alteração ao regulador e até um ano para implementar as modificações.

Apesar de a medida obrigar grandes empresas como o Nubank (ROXO34) a reavaliarem suas marcas, especialistas do mercado avaliam que o impacto sobre sua imagem deve ser mínimo. Eduardo Tomiya, sócio-fundador da TM20 Branding, pontua que a força da marca do Nubank já ultrapassou a necessidade de se apoiar no termo "Bank" como diferencial. Segundo uma pesquisa da TM20, atributos como confiança, menor burocracia, agilidade e inovação tecnológica são os fatores de maior peso na preferência dos consumidores por fintechs, relegando a "solidez" – frequentemente associada ao termo "banco" – a um segundo plano.

Representantes de bancos tradicionais manifestaram apoio à decisão do BC. Luiz Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco (BBDC4), defendeu a medida como um ajuste necessário para evitar que o uso da palavra "banco" cause confusão inadequada entre o público. O CEO executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, concorda que a restrição ajuda a esclarecer a distinção entre as instituições.

Em resposta à regulamentação, o Nubank informou que está analisando a nova determinação. A empresa assegurou que manterá seu compromisso de seguir rigorosamente a legislação e destacou que a regra se aplica apenas à nomenclatura, não afetando a continuidade de seus serviços e produtos, que já contam com as licenças necessárias. O Stark Bank também confirmou ter iniciado a avaliação da orientação.

Por outro lado, o novo cenário regulatório gerou críticas quanto à sua rigidez. O advogado Felipe Franchi argumenta que a proibição pode configurar um "excesso normativo". Para ele, a medida corre o risco de, em vez de proteger o consumidor, abrir brechas para práticas dissimuladas sob outras denominações, sugerindo que diretrizes mais rigorosas para estruturas como Bank as a Service (BaaS) poderiam ser mais eficazes. Paralelamente, o movimento do BC pode incentivar algumas fintechs a buscarem a autorização para se tornarem bancos oficiais.

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