Nível do Rio Paraguai mantém tendência de queda e preocupa setor mineral

Rio Paraguai com bancos de areia na baixa. | Créditos: Foto: Toninho Ruiz/Arquivo


A ausência de chuvas expressivas nas cabeceiras, nas regiões norte de Mato Grosso do Sul e sul de Mato Grosso, tem provocado uma queda acelerada no nível do Rio Paraguai, com um recuo médio de quatro centímetros por dia. A cota na régua de Ladário, referência para a hidrovia, atingiu 96 centímetros nesta terça-feira (21), estando abaixo de um metro e já impactando o escoamento de minérios a partir de Corumbá. Em apenas três semanas de outubro, o nível baixou 83 centímetros.

Com o rio abaixo de 1,5 metro, as barcaças já operam com capacidade reduzida, transportando apenas cerca de 70% da carga para evitar encalhes e danos nos quatro principais bancos de areia. A partir do patamar de um metro, a navegação de grandes comboios é inviabilizada.

A tendência é de que o nível continue em queda, pois rios afluentes importantes, como os de Cáceres (MT) e Cuiabá, e também o São Francisco e o Piquiri (monitorados pelo IMASUL), seguem recuando. O volume de chuvas de outubro está muito abaixo do previsto para a Bacia Pantaneira.

Dragagem em Debate A dragagem do Rio Paraguai, que permitiria o transporte em capacidade máxima o ano todo, segue sem autorização do Ibama. Ambientalistas expressam preocupação, temendo que a intervenção altere o fluxo das águas e prejudique o ciclo natural de cheias e vazantes do Pantanal.

Transporte Recorde em 2025 (Antes da Queda) Apesar da crise atual, o transporte hidroviário de cargas bateu recorde nos primeiros oito meses de 2025, com 6,623 milhões de toneladas, um aumento de 139% em relação ao mesmo período de 2024. A mineração foi a principal responsável por esse volume, respondendo por 5,98 milhões de toneladas, superando em 26% o recorde anterior de 2023. Esse volume só foi possível devido à recuperação do rio no início do ano, que subiu 1,81 metro em Ladário após a seca histórica de 2024.

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