“Neymar: o craque que o Brasil insiste em procurar”

| Créditos: Reprodução/Redes Sociais


Existe um mistério no futebol brasileiro que talvez nem os maiores cientistas do planeta consigam explicar. Como Neymar ainda é tratado como o grande craque do Brasil? A pergunta não é por falta de talento. Ninguém discute a habilidade do camisa 10. O problema é que, nos últimos anos, o torcedor tem visto mais boletins médicos do que partidas completas do jogador.

A cada convocação, a mesma esperança renasce. E a cada lesão, a mesma decepção reaparece. Desta vez, a preocupação chegou tão cedo que muita gente brinca que Neymar nem precisou jogar para começar a preocupar a torcida. Em outras épocas, ao menos havia um ou dois jogos antes do drama físico. Agora, parece que a apreensão já vem junto com a convocação.

O mais curioso é que, apesar de todo o status, o atacante não conseguiu entregar aquilo que realmente importa para uma seleção do tamanho da brasileira: um título mundial. O tempo passa, as Copas vão chegando e terminando, e o tão sonhado hexa continua guardado na prateleira dos sonhos.

Mesmo assim, Neymar segue tratado como uma espécie de salvador da pátria. Vale uma fortuna, recebe salários astronômicos, movimenta patrocinadores, domina manchetes e redes sociais. Mas quando chega a hora decisiva, o torcedor acaba torcendo tanto pela recuperação física quanto pelos resultados dentro de campo.

É difícil entender essa lógica. O futebol brasileiro revelou gênios que conquistaram Copas, marcaram épocas e levantaram troféus históricos. Neymar, por sua vez, continua sendo vendido como a grande esperança nacional, mesmo acumulando mais dúvidas do que conquistas com a camisa da seleção.

Talvez o maior talento do craque seja justamente esse: manter intacta a fama de protagonista mesmo quando passa mais tempo afastado dos gramados do que decidindo partidas.

Por isso, para a próxima Copa, convém ao torcedor brasileiro controlar a empolgação. Sonhar é permitido. Mas depositar todas as expectativas em um jogador que vive uma relação tão próxima com o departamento médico quanto com a bola parece um risco maior do que enfrentar uma disputa de pênaltis.

Afinal, se o Brasil ainda espera que Neymar carregue a seleção rumo ao hexa, talvez a maior pergunta não seja sobre a condição física do jogador. O verdadeiro mistério é por que tanta gente continua acreditando que ele fará aquilo que ainda não conseguiu fazer em mais de uma década vestindo a amarelinha.

Enquanto isso, talvez esteja na hora de olhar para os demais talentos da seleção brasileira. O futebol não é esporte individual, e nenhuma Copa do Mundo foi conquistada por um único jogador.

 O Brasil precisa valorizar e acreditar nos outros atletas que vestem a camisa verde e amarela, muitos deles em excelente fase e com capacidade de decidir partidas. 

Mais do que esperar um milagre de um único nome, talvez seja hora de confiar no conjunto e torcer para que sejam eles os responsáveis por trazer as alegrias que a torcida tanto espera. Afinal, o hexa, se vier, será obra de uma equipe inteira — e não de uma promessa que o tempo insiste em transformar em expectativa eterna.

Por Alcina Reis

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