Mutirão Meu Bairro Limpo elimina mais de 65 mil focos de Dengue

O mutirão Meu Bairro Limpo, voltado ao combate do Aedes aegypti — mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya — eliminou mais de 65 mil depósitos de água que poderiam servir como criadouros do vetor em Campo Grande. A ação foi realizada ao longo de dois meses e percorreu diversas regiões da Capital.

A iniciativa começou no início de dezembro, de forma antecipada ao período chuvoso, quando tradicionalmente há aumento das notificações de arboviroses. O mutirão foi encerrado na última sexta-feira (30), com mais de 126 mil imóveis visitados pelas equipes de saúde.

De acordo com o gerente de Controle de Endemias Vetoriais, Rubens Bittancourt, o planejamento antecipado foi decisivo para reduzir riscos à população. “Observamos, nesta época do ano, o crescimento dos casos de dengue, principalmente, o que reforça a necessidade de adiantar essas ações, eliminando todo e qualquer possível criadouro do mosquito”, explicou.

Durante o mutirão, as equipes atuaram semanalmente em regiões diferentes do município, sem interromper os serviços de rotina realizados em outros bairros. Em cada local atendido, foi instalado um ponto de descarte para que os moradores pudessem destinar corretamente materiais inservíveis acumulados nos quintais, como pneus, garrafas e recipientes que acumulam água.

“Durante o mutirão instalamos um ponto de descarte, onde a população podia deixar o material inservível. Ao final da semana, todo o material recolhido era retirado de forma adequada”, completou Rubens Bittancourt.

Além dos pontos fixos de descarte, os agentes de combate a endemias também identificaram, durante as visitas domiciliares, objetos que ofereciam risco, realizando o recolhimento sempre que necessário.

Situação epidemiológica

Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde e Ambiente, Veruska Lahdo, o cenário atual das arboviroses em Campo Grande é considerado confortável, mas ainda exige vigilância constante.

“Em janeiro, registramos 59 notificações de dengue, um número abaixo do esperado para esta época do ano. Ainda assim, não há como dizer que não existem preocupações. A dengue mata e deve ser monitorada durante todo o ano”, alertou.

Nos últimos 12 meses, a Capital contabilizou 5.029 notificações de dengue, completando cinco anos sem registro de epidemia da doença. Em contrapartida, os 277 casos confirmados de chikungunya representam o maior número já registrado no município, o que acende um alerta para a rede de saúde.

“Diversas regiões do país enfrentaram epidemias de chikungunya nos últimos anos. Quando a doença cronifica, o impacto sobre o sistema de saúde é grande, já que muitos pacientes necessitam de acompanhamento por meses devido às dores persistentes”, destacou Veruska.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que o combate ao mosquito depende da participação da população, com a eliminação constante de recipientes que acumulam água e a manutenção dos quintais limpos, mesmo fora dos períodos de mutirão.

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