MS realiza primeira cirurgia de estimulação cerebral pelo SUS e avança no tratamento do Parkinson
- porRedação
- 17 de Março / 2026
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Um procedimento inédito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul marcou um avanço significativo no tratamento de pacientes com Doença de Parkinson. Neste mês, foi realizada a primeira cirurgia de implante de eletrodos para estimulação cerebral profunda na rede pública estadual.
O procedimento ocorreu no Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, unidade administrada pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul.
O paciente submetido à cirurgia foi o servidor público aposentado Gilberto Barbieri, de 58 anos, morador de Nova Andradina, que convive há cerca de 15 anos com os sintomas da doença, inicialmente caracterizados por tremores e que evoluíram para limitações motoras mais severas.
Técnica reduz sintomas e pode diminuir uso de medicamentos
A cirurgia consiste na implantação de eletrodos em áreas profundas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. Conforme explicou o neurocirurgião Eduardo Cintra Abib, os dispositivos são posicionados no chamado núcleo subtalâmico e conectados a um equipamento semelhante a um marca-passo, implantado na região do peito.
Durante o procedimento, o paciente permanece acordado, permitindo que a equipe médica teste, em tempo real, os pontos de estimulação mais eficazes para reduzir sintomas como tremores, rigidez e lentidão dos movimentos.
Segundo o especialista, a técnica é indicada para casos mais avançados da doença e pode reduzir em até 80% a necessidade de medicamentos, além de melhorar significativamente a mobilidade e a qualidade de vida.
Recuperação e nova perspectiva de vida
Após a cirurgia, realizada no dia 5 de março, o paciente permaneceu um dia na UTI e recebeu alta hospitalar três dias depois. Nas próximas semanas, ele passará pela fase de programação do dispositivo, quando serão feitos os ajustes da estimulação elétrica.
Para Gilberto, o procedimento representa a esperança de retomar a autonomia. Ele relata o impacto da doença no dia a dia, com episódios de rigidez e perda de movimentos quando o efeito da medicação passa. “Quero ter mais controle sobre meu corpo e voltar a fazer atividades simples, como viajar e conviver com a família”, afirmou.
A esposa, Elcia Oliveira Umbelino Barbieri, que acompanha o tratamento, também destaca a expectativa de melhora na qualidade de vida do casal.
Marco para a saúde pública
De acordo com o diretor técnico da unidade, Marllon Nunes, a realização do procedimento representa um marco para a saúde pública estadual, ao ampliar o acesso da população a tratamentos de alta complexidade.
A iniciativa reforça o papel do hospital como referência em assistência especializada e demonstra a capacidade do SUS em oferecer tecnologias avançadas, garantindo mais dignidade e qualidade de vida aos pacientes.






