MS projeta ano legislativo tenso com impeachment no STF

O retorno das atividades legislativas em Brasília, nesta semana, ocorre sob expectativa de debates acirrados e forte polarização política. Deputados federais de Mato Grosso do Sul projetam um ano legislativo marcado tanto por pautas estruturantes — como a PEC da Segurança Pública — quanto por embates institucionais, incluindo pedidos de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para o deputado Dagoberto Nogueira (PSDB), manifestações registradas durante o recesso parlamentar devem refletir diretamente no clima do Congresso Nacional. “Vamos ter vários problemas, muito debate, muita discussão e muita briga nesse início”, afirmou.

O parlamentar citou episódios recentes que devem reverberar no Legislativo, como a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o Complexo da Papuda, a apreensão de quase R$ 470 mil em endereço ligado ao líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), além de manifestações lideradas pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Dagoberto também destacou que as mudanças promovidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na composição ministerial devem entrar no radar do Congresso. “Isso também vai gerar debate”, pontuou. Apesar disso, demonstrou ceticismo quanto ao avanço de reformas em ano eleitoral. “Reforma tributária precisa ser concluída, a administrativa precisa começar, mas não acredito em grandes avanços com esse nível de polarização.”

Prioridades da base governista

Em contraponto, o deputado Vander Loubet (PT) destacou as prioridades da bancada governista para 2026, defendendo uma agenda voltada a políticas públicas e desenvolvimento social.

Entre os projetos citados estão o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, tarifa zero no transporte público, universalização da educação integral e medidas para a transição energética. “São projetos estratégicos que atendem aos anseios da população”, afirmou.

Segundo o parlamentar, a pauta governista se diferencia da atuação da oposição. “Enquanto setores da extrema-direita tratam de interesses particulares, seguimos focados no avanço da economia e na melhoria da qualidade de vida das famílias brasileiras.”

Impeachment no STF e críticas ao Judiciário

Já o deputado Rodolfo Nogueira (PL) afirmou que sua atuação em 2026 será centrada no que classifica como defesa da Constituição. “Não existe normalidade democrática com perseguição política, censura e cidadãos presos por opinião”, disse.

O parlamentar é um dos signatários do pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, iniciativa que pode ganhar tração neste ano legislativo. Para Nogueira, as manifestações durante o recesso refletem o sentimento popular. “O povo acordou. Quem ignorar as ruas vai pagar a conta.”

Saúde também entra na pauta

O deputado Geraldo Resende (PSDB) destacou que, além da PEC da Segurança Pública e do Projeto Antifacção — que retornou do Senado com alterações —, sua prioridade será a área da Saúde.

Ele citou projetos em tramitação, como o PL nº 85/2024, que facilita o acesso à caneta de adrenalina autoinjetável, e o PL nº 3.809/2024, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer. “São propostas com impacto direto na vida das pessoas e no fortalecimento do SUS”, afirmou.

Bancada incompleta

O Jornal Midiamax acionou os oito deputados federais que compõem a bancada de Mato Grosso do Sul. Camila Jara (PT), Marcos Pollon (PL), Luiz Ovando (PP) e Beto Pereira (PSDB) não responderam até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.

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