MPMS se manifesta a favor de intervenção no Consórcio Guaicurus em Campo Grande
- porRedação
- 11 de Março / 2026
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| Créditos: Foto: Reprodução/O Cidadão Alerta
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) apresentou parecer favorável à intervenção no Consórcio Guaicurus, concessionária que opera o sistema de transporte coletivo de Campo Grande.
A manifestação ocorre enquanto corre o prazo de dois meses para que o grupo de trabalho criado pela prefeitura avalie se o consórcio está cumprindo os termos do contrato de concessão firmado em 2012.
A defesa do Consórcio pediu a suspensão do processo de intervenção, alegando que a medida não seria o caminho adequado. No entanto, o procurador de Justiça Edgar Roberto Lemos de Miranda destacou que o serviço apresenta diversos problemas.
“O juízo justificou a tutela de urgência ao vislumbrar vícios graves na execução contratual e a inércia do Estado em adotar medidas interventivas”, afirmou o procurador, citando o descumprimento do TAG de 2020, apontamentos do Tribunal de Contas e fatos revelados por investigação parlamentar.
O recurso será analisado pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) na próxima quinta-feira (19), sob relatoria do desembargador Vilson Bertelli.
Grupo da prefeitura avalia situação do contrato
Em 6 de março de 2026, a prefeitura instituiu uma comissão para avaliar a execução do contrato da concessionária.
O grupo é presidido pela procuradora-geral do município, Cecília Saad Cruz Rizkallah, e deve verificar se o consórcio cumpre obrigações como:
Condições da frota
Cumprimento de rotas e horários
Manutenção dos veículos
Demais exigências contratuais
“Vamos verificar basicamente o descumprimento do contrato: frota, rota, horário e tudo que está previsto no termo”, explicou a procuradora.
Origem da investigação
A determinação judicial para intervenção foi dada em dezembro de 2025 pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan.
A ação popular foi apresentada por Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, que apontou possíveis irregularidades como:
Frota considerada sucateada
Falta de manutenção preventiva e corretiva
Ausência de seguros obrigatórios
Suposto desvio de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês
Venda de imóvel da Viação Cidade Morena por R$ 14,4 milhões sem transparência sobre a aplicação dos recursos
O caso também foi investigado por uma CPI instaurada pela Câmara Municipal de Campo Grande, que identificou falhas na execução do contrato. Após o relatório final, o MPMS abriu inquérito civil para aprofundar as apurações.
O que pode acontecer com a concessão
Caso a intervenção seja confirmada, a prefeitura deverá publicar um decreto no Diário Oficial justificando a medida e nomeando um interventor para auditar o contrato e apurar irregularidades.
Após a medida, será aberto processo administrativo para investigar responsabilidades. O procedimento pode durar até 210 dias, incluindo prorrogações.
Se for constatado descumprimento grave das obrigações contratuais, o município poderá declarar a caducidade da concessão, retomando imediatamente o controle do transporte coletivo.
Nesse cenário, os bens ligados ao serviço voltariam ao poder público, que passaria a administrar o sistema até a definição de um novo modelo de operação para o transporte coletivo da capital






