Mensagens no celular mostram que Ciro Gomes jantou com Vorcaro para falar de precatórios
- porR7
- 25 de Setembro / 2026
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| Créditos: Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Uma troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vocaro e o ex-governador e candidato do PSDB ao executivo do Ceará, Ciro Gomes, mostra que os dois se encontraram em um jantar em julho de 2024.
Nas mensagens, Vorcaro afirma que foi um grande prazer conhecer o candidato ao governo cearense. ”Caro Ciro, grande prazer te conhecer. Muito obrigado pelo tempo e atenção. Grande abraço.” Cerca de 15 minutos depois, Ciro responde: “Também tive grande prazer em conhecê-lo. Abraço.”
O jantar teria acontecido na casa do advogado Walfrido Warde. A troca de mensagens foi revelada pela coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.
Em nota, a equipe do candidato afirma que “as explicações de Vorcaro e de seu advogado não convenceram Ciro Gomes sobre a normalidade e lisura das operações” — referindo-se aos precatórios adquiridos pelo ex-banqueiro.
“Por este motivo, voltou ao tema, outras vezes, na sua newsletter, e em entrevistas e palestras. As denúncias de Ciro Gomes — anteriores e posteriores ao jantar — estão registradas nas edições de O Brasil Desvendado, nos vídeos das palestras e postagens em redes sociais”, explica a equipe.
Ainda segundo os assessores, Ciro já havia tido contato com o advogado Walfrido Warde, mas não conhecia Vorcaro, nem mesmo havia ouvido falar dele.
Vorcaro tem aproximadamente R$ 14,3 bilhões investidos em processos que dependem de decisões da Justiça para render retornos financeiros expressivos ao ex-banqueiro.
O mais famoso, até agora, é uma possível indenização que usinas de cana-de-açúcar e álcool receberiam da União por, supostamente, serem obrigadas a vender seus produtos a um preço menor que o de produção na década de 1980. Isso teria provocado prejuízo para o setor.
As investigações mostraram que Vorcaro comprava, via Banco Master, os chamados pré-precatórios (direitos creditórios). Depois, por meio da rede de amigos que montou no Judiciário, o ex-banqueiro tentava receber apoio nas ações. Se aprovadas em tribunais, tornavam-se sentenças definitivas (precatórios).
Quando o STF (Supremo Tribunal Federal) ou o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) aceitam as teses favoráveis ao pagamento, quem tem direito a receber as indenizações costuma ganhar uma bolada. Segundo a Folha de S.Paulo, as ações são compradas por cerca de 20% do valor estimado. A União é quem paga o precatório.
Na última quarta-feira (23), o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) cancelou 16 precatórios de usinas de açúcar e etanol, que somam R$ 4,7 bilhões, e determinou a devolução dos valores aos cofres públicos. Os recursos estavam depositados em contas judiciais.






