Mais de 70 mil agentes de segurança pública foram afastados por problemas de saúde mental no país
- porRedação
- 24 de Setembro / 2026
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| Créditos: Foto: Reprodução/Midiamax
Um levantamento governamental sobre a qualidade de vida no funcionalismo público apontou que mais de 70,4 mil integrantes das forças de segurança foram temporariamente retirados de suas funções devido a transtornos mentais e comportamentais. O mapeamento contempla registros de 135 corporações distribuídas entre os 26 estados e o Distrito Federal.
Todas as licenças concedidas foram homologadas por laudos de profissionais de psicologia ou psiquiatria, enquadrando-se nos critérios oficiais da Classificação Internacional de Doenças (CID) para distúrbios psicológicos.
Corporações com maior incidência de licenças
Os Corpos de Bombeiros Militares concentraram a maior fatia dos afastamentos, somando cerca de 38,7 mil diagnósticos formais. Dentro da categoria, a maior quantidade de ausências operacionais ocorreu entre a graduação de sargentos.
Na sequência, as Polícias Militares contabilizaram mais de 28,4 mil licenças identificadas por códigos de saúde mental, além de cerca de 1,4 mil afastamentos sob proteção de sigilo médico. Na estrutura da Polícia Militar, a praça de soldado foi a mais atingida, concentrando mais de 16,9 mil casos.
Já no âmbito da Polícia Civil, registraram-se quase 3,3 mil licenças confirmadas. O cargo com maior proporção de afastamentos foi o de agente de polícia, seguido por escrivães e delegados.
Gargalos no acompanhamento preventivo
O levantamento também colocou em evidência lacunas nos programas de prevenção à saúde mental das corporações. Na maioria das instituições, a intervenção psicológica ou psiquiátrica ocorre de forma reativa — isto é, somente após o esgotamento do servidor —, sem a presença de um acompanhamento preventivo sistemático.
Embora 22 unidades da Federação contem com atendimento psicológico disponível para policiais militares, apenas oito realizam avaliações periódicas regulares, enquanto 19 estados não possuem rotina contínua de monitoramento da saúde mental das tropas.
Diante do cenário, gestores da segurança pública planejam padronizar a coleta desses indicadores epidemiológicos em caráter anual, buscando superar entraves operacionais relativos ao sigilo médico e estruturar políticas permanentes de apoio à saúde do trabalhador da segurança.






