Mais de 28 mil terremotos atingem ilhas gregas e afundam destino turístico; entenda
- porR7
- 27 de Setembro / 2025
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A ilha de Santorini, na Grécia, é dona de um dos pores do sol mais famosos do mundo; destino desponta como um dos mais românticos sendo escolha constante de cenários de casamentos e viagens de lua de mel | Créditos: CNN Viagem & Gastronomiado Viagem & Gastronomia
Santorini e a região do vulcão submarino Kolumbo, no Mar Egeu, foram abalados por mais de 28 mil terremotos no início de 2025. O fenômeno, que levantou preocupações sobre riscos vulcânicos e tectônicos, foi resultado da ascensão de magma a partir das profundezas da crosta terrestre. A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature por pesquisadores do GFZ Helmholtz Centre for Geosciences e do Geomar Helmholtz Centre for Ocean Research Kiel, em parceria com cientistas internacionais.
Os especialistas analisaram dados de estações sísmicas terrestres e sensores instalados no fundo do mar, implantados no Kolumbo a apenas sete quilômetros de Santorini - uma das mais famosas ilhas da Grécia. A pesquisa mostrou que cerca de 300 milhões de metros cúbicos de magma subiram até quatro quilômetros abaixo do leito marinho. O movimento provocou a sequência de tremores, alguns acima da magnitude 5.0, que chegaram a alarmar a população local e turistas.
O geofísico Marius Isken, do GFZ e um dos autores do estudo, afirmou que o padrão da atividade foi compatível com a subida de magma. “O magma migratório rompe a rocha e forma trilhas, o que causa intensa atividade sísmica. Nossa análise nos permitiu traçar a trajetória e a dinâmica da ascensão do magma com alto grau de precisão”, explicou.
Os tremores começaram em julho de 2024, quando o magma alcançou um reservatório raso sob Santorini e causou uma elevação de alguns centímetros na ilha. No fim de janeiro de 2025, a atividade aumentou e os terremotos se deslocaram mais de dez quilômetros para o nordeste, na direção do Kolumbo. Os focos sísmicos migraram de 18 quilômetros de profundidade até cerca de três quilômetros abaixo do fundo do mar.
Como consequência, Santorini afundou novamente. Para os pesquisadores, o fenômeno indica a existência de uma ligação hidráulica ainda desconhecida entre os dois vulcões.
O geofísico marinho Jens Karstens, do Geomar, destacou a importância da cooperação internacional na investigação. “Conseguimos acompanhar o desenvolvimento da crise sísmica em tempo quase real e até mesmo aprender algo sobre a interação entre os dois vulcões. Isso nos ajudará a aprimorar o monitoramento de ambos no futuro”, disse.
Dois fatores foram decisivos para a análise detalhada. Um foi o uso de um método de inteligência artificial desenvolvido pelo GFZ, capaz de processar automaticamente grandes conjuntos de dados sísmicos. Outro foi a instalação prévia de sensores submarinos pelo projeto Multi-Marex, que mediram sinais sísmicos e detectaram o afundamento de até 30 centímetros no fundo do mar durante a intrusão de magma sob o Kolumbo.
As atividades de monitoramento continuam mesmo após a redução da atividade sísmica. O GFZ realiza medições de gases e temperatura em Santorini, enquanto o Geomar mantém oito plataformas de sensores em operação no fundo do mar.
A professora Heidrun Kopp, do Geomar, afirmou que as descobertas foram repassadas às autoridades gregas em tempo real para apoiar a tomada de decisões. Já a professora Paraskevi Nomikou, da Universidade de Atenas, ressaltou que a cooperação entre os institutos foi essencial. “Esta cooperação de longa data permitiu gerir em conjunto os eventos no início do ano e analisá-los com tanta precisão do ponto de vista científico. Compreender a dinâmica nesta região geologicamente altamente ativa com a maior precisão possível é crucial para a segurança e proteção da população”, disse.






