Lula recebe presidente nigeriano e defende relações comerciais

Presidentes tiveram reunião bilateral no Palácio do Planalto | Créditos: Ricardo Stuckert/PR


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (25) o crescimento das relações comerciais entre Brasil e Nigéria e voltou a fazer uma defesa pública ao multilateralismo, desta vez sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A declaração foi dada durante visita do presidente da Nigéria, Bola Tinibu, ao Brasil. Lula recebeu o nigeriano no Palácio do Planalto nesta manhã, ocasião em que assinaram diversos atos e acordos de cooperação (veja abaixo). A visita de Estado de Tinibu foi feita a convite de Lula.

Em declaração à imprensa, Lula lamentou a perda das relações comerciais com o país africano nos últimos anos. “Por anos, a Nigéria foi nosso maior parceiro comercial na África. [Mas] saímos de US$ 10 bilhões [de troca comercial] em 2014 e passamos para US$ 2 bilhões em 2024″, detalhou.

“Nos últimos governo, o Brasil se distanciou da África. Mas duas das maiores economias da África e da América Latina devem ter um intercâmbio muito maior”, afirmou Lula.

Lula citou, por exemplo, que a última vez que um presidente nigeriano veio ao Brasil foi em 2009. Logo em seguida, defendeu o livre comércio. “Nesse momento, em que ressurgem o protecionismo, Nigéria e o Brasil reafirmam sua aposta no livre comércio e integração produtiva”, disse.

Na ocasião, Lula comentou sobre o acordo de um voo direto entre Nigéria e São Paulo e afirmou que o país africano tem “todas as credenciais para se tornar membro pleno do G20″.

“Compartilhamos visões muito parecidas a respeito do sul global e reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo. Seguimos empenhados na construção de um mundo de paz e livre de imposições hegemônicas”, observou.

Veja principais acordos assinados entre os países:

  • Acordo de cooperação de serviços aéreos;
  • Acordo de cooperação na formação de diplomatas;
  • Memorando de entendimento para consultas políticas, relações bilaterais e questões nacionais e internacionais; e
  • Acordo de cooperação em ciência e tecnologia para desenvolvimento de biotecnologia, bioeconomia e transformação digital.

Crime organizado

Lula também comentou sobre a importância da parceria entre os países no combate ao crime organizado.

“A preocupação com o combate ao crime organizado, o terrorismo e ao tráfico internacional de drogas também esteve no centro de nossa reunião de hoje. Uma das consequências perversas da globalização é a articulação de grupos criminosos para além das fronteiras nacionais. Nenhum país isoladamente conseguirá debelar a criminalidade transnacional. A criminalidade está evoluindo a uma velocidade sem precedentes, exigindo ações multilaterais urgentes e coordenadas”, disse.

O presidente brasileiro aproveitou para pedir o apoio da Nigéria ao Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, proposta que será apresentada pelo governo na COP30 em novembro, em Belém (PA).

“Expus ao presidente Tinubu que meu compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030 passa por atuar na repressão a todo tipo de ilícito ambiental. A Nigéria também compartilha da urgência com que precisamos combater a mudança do clima e preservar a saúde do planeta. A África é a região do mundo que menos emite gases do efeito estufa, mas uma das que mais sofrem as consequências perversas do aquecimento global”, começou.

Lula acrescentou que espera a presença dos países africanos na COP30. “Espero contar com expressiva participação de países africanos na COP30. Os instrumentos internacionais hoje existentes são insuficientes para recompensar de forma eficaz a proteção das florestas, sua biodiversidade e os povos que vivem, cuidam e dependem desses biomas. Por essa razão, convidei o presidente Tinubu a apoiar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que o Brasil pretende lançar durante a COP30, para remunerar países detentores de florestas tropicais”.

Visita de Estado

O presidente nigeriano teve uma reunião restrita com Lula, além de um encontro ampliado com ministros, na manhã desta segunda-feira. Os dois presidentes discutiram temas bilaterais, regionais e multilaterais, e logo depois assinanaram acordos bilaterais e atos de cooperação.

Após a declaração à imprensa de Lula e Tinubu, os dois seguem para um almoço no Palácio do Itamaraty. A tarde, há previsão do nigeriano ser recebido pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. O ministro também participa junto ao vice-presidente Geraldo Alckmin do Fórum Empresarial Nigéria-Brasil, na sede do Sebrae.

Este ano, Nigéria e Brasil comemoram 65 anos de relacionamento bilateral. O Brasil foi o único país sul-americano convidado para o evento de proclamação da independência da Nigéria, em 1º de outubro de 1960.

O país, no ano passado, foi o quarto maior parceiro comercial do Brasil na África, com fluxo comercial de US$ 2 bilhões, um crescimento de 20% com relação a 2023. Segundo dados do governo federal, o Brasil exporta principalmente açúcares e melaços (74%). As importações, por outro lado, são concentradas em fertilizantes (48%) e petróleo e derivados (48%).

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