Líderes da ala conservadora de MS criticam decisão de Moraes que levou à prisão preventiva de Bolsonaro

| Créditos: Hugo Barreto/Metrópoles


A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, desencadeou uma onda de críticas imediatas entre os representantes da direita sul-mato-grossense no Congresso Nacional. Senadores e deputados federais utilizaram suas plataformas para se manifestar contra a medida judicial, questionando sua legalidade, a proporcionalidade e o impacto no cenário político nacional.

Reações do Senado

No Senado Federal, o debate se concentrou na garantia dos direitos e na estabilidade institucional. A senadora Tereza Cristina (PP) classificou a ação da Suprema Corte como "inesperada e abusiva", prestando solidariedade ao ex-presidente e sua família. Ela destacou a necessidade de estabilidade institucional e de rigor no devido processo legal, mencionando a fragilidade do estado de saúde de Bolsonaro como um fator relevante.

Em uma linha de raciocínio que buscou se desvencilhar da disputa ideológica, o senador Nelsinho Trad (PSD) afirmou que a questão principal é o "respeito aos direitos de qualquer cidadão". Ele ressaltou que, quando uma prisão preventiva ocorre em condições que levantam dúvidas sobre clareza e proporcionalidade, o debate transcende a política partidária.

Críticas da Câmara dos Deputados

Na Câmara dos Deputados, o tom das manifestações foi notoriamente mais incisivo, com vários parlamentares apontando para uma suposta perseguição política.

O deputado federal Luiz Ovando (PP) expressou "profunda perplexidade" e alertou sobre o estado das garantias constitucionais no país. Ovando destacou o histórico clínico do ex-presidente, lembrando de múltiplas cirurgias, e argumentou que, sob qualquer critério técnico, não haveria razão para retirá-lo do regime domiciliar. Para ele, a ação da Justiça produz "insegurança e humilhação", servindo apenas para aprofundar feridas políticas em vez de contribuir para a pacificação.

Em manifestações categóricas, o deputado federal Marcos Pollon (PL) definiu a prisão como "estapafúrdia, exclusivamente política e com requintes de crueldade". Ele alegou que não haveria fundamentos jurídicos ou relatório que comprovasse violação da tornozeleira eletrônica, tratando a decisão como "premeditada" e uma tentativa de assassinato de reputação. Por sua vez, Rodolfo Nogueira (PL) afirmou que a medida representa uma perseguição que "passou de todos os limites".

A bancada de Mato Grosso do Sul, em sua maioria, convergiu na contestação aos fundamentos da decisão, reforçando o cenário de polarização política gerado pelo caso.

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