Kemp defende integração das polícias e vê uso político em operação no Rio

| Créditos: Foto Giovanni Coletti


O deputado estadual Pedro Kemp (PT-MS) utilizou a tribuna na última terça-feira (4) para criticar e alertar sobre as motivações por trás da megaoperação policial ocorrida em 28 de outubro nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, orquestrada pelo governador Cláudio Castro (PL).

A ação, que visava prender o líder do Comando Vermelho (CV), "Doca" ou "Urso" (que conseguiu escapar), resultou em um saldo de 121 mortes, incluindo policiais militares, suspeitos e moradores. Kemp classificou a operação, conhecida como "Contenção", como uma tática que não resolve o problema do crime organizado, comparando-a com a operação "Carbono Oculto" na Avenida Faria Lima, em São Paulo, onde, segundo ele, a polícia atuou com inteligência e planejamento, apreendendo mais de R$ 4 bilhões do crime organizado sem registrar um único disparo ou morte.

"Os tubarões do crime organizado não estão nos barracos, e sim nas mansões de luxo." - Pedro Kemp (PT)

Críticas à Recusa de Apoio Federal e à PEC da Segurança

O parlamentar petista acusou o governador Cláudio Castro de fazer "política" com a segurança pública e de "tentar jogar a responsabilidade no colo do presidente Lula". Ele questionou a recusa dos governadores de direita em apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, enviada por Lula ao Congresso, que visa criar o Sistema Nacional de Segurança Pública e integrar as forças policiais.

Segundo Kemp, a rejeição a esta medida perpetua o ciclo de violência nas comunidades e demonstra que os gestores estaduais não buscam uma solução efetiva, mas sim o uso político do tema.

Proposta de Lula: Integração das forças de segurança, visando enfraquecer o crime organizado, melhorar as condições policiais e garantir políticas públicas básicas (água, luz, saneamento) para as comunidades.

Crítica: Governadores de direita, incluindo Castro, rejeitam o projeto e, posteriormente, reclamam de falta de apoio federal.

Reunião de Governadores com Foco Político

Kemp também criticou a reunião de governadores de direita — na qual participou o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel —, classificando o encontro como midiático e político, e não técnico. Para o deputado, o objetivo era desviar o foco da tragédia no Rio de Janeiro, em vez de buscar uma solução conjunta com o Governo Federal. Ele ainda questionou a prioridade de Riedel em participar do encontro, citando problemas locais como a "epidemia" de feminicídios e conflitos indígenas em MS.

O deputado concluiu reforçando que o enfrentamento ao crime organizado deve ir além de operações letais e focar no cerne financeiro e na inteligência, tal como na Operação Carbono Oculto, que desvendou um esquema bilionário do PCC sem derramamento de sangue.

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