Juventude indígena participa pela primeira vez do Fórum Regional
- porRedação
- 18 de Fevereiro / 2026
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Pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, a juventude indígena participou oficialmente do Fórum Regional de Juventude, iniciativa que percorre o Estado para ouvir jovens e construir propostas que irão subsidiar a renovação do Plano Estadual da Juventude. A escuta inédita ocorreu durante a IX Assembleia da Juventude Terena – “Guardiões da memória, construtores do amanhã”, realizada em 7 de fevereiro, na Aldeia Cachoeirinha, na Terra Indígena Cachoeirinha.
A atividade integrou o Circuito Avança Juventude e foi promovida pela Secretaria de Estado da Cidadania de Mato Grosso do Sul, por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Juventude, com apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, em parceria com o Conselho Estadual da Juventude de Mato Grosso do Sul e com a própria Assembleia da Juventude Terena.
Mais do que uma agenda institucional, o encontro simbolizou a mudança de postura do poder público ao levar o debate para dentro dos territórios. Ao todo, 114 jovens das etnias Terena, Kinikinau, Guarani (Kaiowá e Ñandeva) e Kadiwéu participaram da construção coletiva, levantando mais de 30 propostas que passam a integrar o relatório oficial do Plano.
O subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz, destacou o caráter histórico da escuta. “Foi um grande avanço das políticas públicas para a juventude. Desde o ano passado estamos mobilizados para ouvir as diversas juventudes de Mato Grosso do Sul. Ouvir a juventude indígena, com diferentes etnias representadas, é descer do gabinete, ir até a ponta e transformar essa fala em plano, decreto e política pública efetiva”, afirmou.
Protagonismo indígena
Para os próprios jovens, o espaço consolida um movimento já fortalecido dentro das comunidades. Coordenador da Juventude Terena no Estado e agente indígena de saúde, Jean Carlos, de 26 anos, explica que a assembleia é um espaço essencial de articulação.
“A assembleia é um movimento da juventude Terena onde discutimos educação, saúde, políticas públicas e a cosmologia do nosso povo. Também recebemos parentes Guarani/Kaiowá, Kadiwéu e Kinikinau. É um espaço de discussão da juventude indígena do Estado”, afirmou.
Segundo ele, a presença do Governo do Estado na aldeia fortalece a construção conjunta de soluções. “A participação do governo é fundamental para firmar parcerias e trazer melhorias, como acesso ao ensino superior, ações voltadas à saúde mental e projetos para afastar a juventude do vício das drogas. Ir até lá ouvir o que a gente precisa é essencial”, destacou.
Entre as propostas apresentadas estão maior acesso de jovens indígenas a espaços dentro do próprio governo, realização de eventos esportivos nas comunidades e iniciativas voltadas a território, saúde, educação e diversidade.
A comunicadora Nadiely Vitória De Matos Benites, de 18 anos, da etnia Terena, da Terra Indígena Taunay/Ipegue, avaliou a experiência como transformadora. “A Assembleia foi muito positiva. É um espaço rico de escuta, aprendizado e construção coletiva, onde a juventude realmente teve voz. A programação dialogou com a valorização da nossa cultura e com temas urgentes da nossa realidade”, afirmou.
Para ela, a conexão entre tradição e políticas públicas foi um dos pontos mais marcantes. “A oficina de cerâmica tradicional mostrou como os saberes ancestrais seguem vivos, principalmente pelas mulheres Terena. Também foram importantes os debates sobre acesso e permanência no ensino superior, saúde mental e políticas pensadas a partir dos territórios”, destacou.
Escuta estruturada
A metodologia do Fórum foi organizada em três etapas: plenária inicial, grupos por eixo temático e plenária final de socialização. Os debates foram divididos em cinco eixos: Educação, Profissionalização, Trabalho e Renda; Cultura, Esporte e Lazer; Participação Social, Saúde, Diversidade e Igualdade; Sustentabilidade, Meio Ambiente, Território e Mobilidade; e Saúde Mental.
O técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, Heliton Cavanha, que mediou o eixo de Cultura, Esporte e Lazer, ressaltou a importância da escuta direta. “Foi muito produtivo ouvir a juventude. Eles trouxeram demandas que fazem falta no dia a dia das comunidades. Fortalecer a voz da juventude é fortalecer o futuro dos territórios”, afirmou.
Renovação do Plano
O Fórum Regional de Juventude integra o processo de renovação do Plano Estadual da Juventude. Em 2025, sete fóruns regionais foram realizados em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. Em 2026, a edição voltada às juventudes indígenas amplia a representatividade e incorpora as especificidades culturais, sociais e territoriais ao planejamento estadual.
Ao levar o debate para dentro da aldeia, o Estado inaugura uma nova etapa na formulação de políticas públicas: aquela em que a juventude indígena deixa de ser apenas destinatária das ações e passa a ser autora das propostas que irão orientar o futuro.






