Justiça mantém legalidade de operação contra exploração de jogos de azar em MS enquanto ex-deputado permanece foragido

| Créditos: Foto: Divulgação/Gaeco


Por decisão unânime, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) confirmou a legitimidade das ações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na investigação que apura a atuação de um grupo criminoso armado e a exploração ilegal de jogos de azar no estado. O julgamento ocorreu durante análise de um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de um dos investigados.

No centro das atenções, o ex-deputado estadual Neno Razuk permanece com mandado de prisão em aberto e é procurado pelas autoridades. Segundo seus advogados, ele ainda não teve acesso integral à decisão judicial e aguarda a ciência formal para que a defesa possa se manifestar, cabendo a ele próprio a deliberação sobre eventual apresentação espontânea.

O recurso analisado foi impetrado por Jonathan Gimenez Grance, primo do conhecido megatraficante Jarvis Pavão, que foi preso durante a fase mais recente da operação batizada de Sucessione. A defesa de Jonathan argumentava que o processo deveria ser anulado por suposta violação ao princípio do promotor natural, uma vez que as acusações estariam sendo conduzidas por membros do Gaeco e não pelos promotores originalmente designados para a 4ª Vara Criminal, onde o caso tramita.

Os desembargadores, no entanto, rejeitaram a tese defensiva. O entendimento prevalecente foi o de que a atuação do Gaeco é plenamente respaldada, e a ausência eventual de um promotor específico não compromete a validade do processo, dado que o grupo especializado detém autorização legal para atuar em representação ao Ministério Público.

Além de Jonathan, encontram-se detidos o pai e os irmãos de Neno Razuk: Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. O patriarca da família, em razão de seu estado grave de saúde, encontra-se em uma unidade de terapia intensiva e cumpre prisão domiciliar.

A denúncia formalizada pelo Ministério Público, por intermédio do Gaeco, alcança um total de 20 pessoas, incluindo o deputado estadual Neno Razuk, seu pai e seus irmãos. O documento, protocolado em dezembro de 2025, descreve o núcleo familiar como o comando de uma organização que utilizava estrutura armada e recursos ilícitos, como corrupção e lavagem de dinheiro, para dominar a contravenção penal no estado. A acusação aponta que o grupo teria se aproveitado do enfraquecimento de outra facção criminosa, alvo da Operação Omertà, para expandir seu domínio sobre pontos de apostas em Campo Grande e outras áreas estratégicas.

A Justiça, em janeiro de 2026, já havia aceito a denúncia, e o MPMS requer, além das penalidades criminais, o ressarcimento de R$ 36 milhões aos cofres públicos, com base na legislação sobre lavagem de dinheiro. As investigações indicam que a atuação do grupo não se limitava à exploração do jogo do bicho, mas envolvia roubos qualificados contra grupos rivais para eliminar a concorrência pela força.

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