Investigação sobre fraude em contratos públicos em Três Lagoas é desdobramento de apuração de R$ 2,7 milhões na Capital

| Créditos: Divulgação


Uma ofensiva deflagrada por órgãos especializados do Ministério Público de Mato Grosso do Sul para apurar irregularidades em contratos municipais em Três Lagoas possui ligação direta com investigações iniciadas na capital sul-mato-grossense. O desdobramento recente, denominado Operação Máquinas de Areia, deriva da Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023 para apurar um suposto prejuízo de mais de R$ 2,7 milhões aos cofres públicos de Campo Grande.

Na Capital, o processo tramita na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos e envolve denúncias contra duas empresas acusadas de corrupção e fraude a licitações no Contrato nº 217/2018, voltado à manutenção de vias públicas. Conforme a apuração judicial, as empreiteiras atuavam em conluio para simular concorrência por meio de rodízio nas licitações, combinando ações com o pagamento de propina a servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP).

As provas colhidas indicam a falsificação de relatórios e medições para viabilizar repasses indevidos. O montante calculado do prejuízo em Campo Grande divide-se em R$ 1,3 milhão relativo a serviços cuja prestação não foi comprovada e R$ 1,4 milhão decorrente do encarecimento artificial das distâncias de transporte praticadas nos contratos. Durante a fase inicial da investigação na Capital, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, ocasião em que um dos empreiteiros investigados foi detido em flagrante por posse irregular de arma de fogo.

Desdobramento em Três Lagoas
A fase mais recente das investigações estendeu o raio de ação para o interior do estado. A Operação Máquinas de Areia também resultou no cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão, com alvos localizados em Três Lagoas, Campo Grande, Terenos e na cidade paulista de Castilho, alcançando inclusive a Secretaria de Infraestrutura do município tres-lagoense.

O foco da apuração em Três Lagoas engloba contratos e aditivos celebrados entre 2018 e 2026 que ultrapassam a marca de R$ 100 milhões. A suspeita é de que o mesmo modus operandi tenha sido utilizado na cidade, com autorização de pagamentos por serviços não executados ou prestados em desacordo com as especificações contratuais para direcionamento e desvio de verbas públicas.

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