Investigação apura possíveis danos ambientais e à saúde decorrentes do escoamento de minério em Porto Esperança
- porRedação
- 25 de Agosto / 2026
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| Créditos: Foto: Rodolfo César
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para apurar potenciais prejuízos ambientais e sociais causados pela atividade minerária no distrito de Porto Esperança, comunidade ribeirinha centenária localizada no Pantanal de Corumbá. O procedimento atende a uma solicitação apresentada pela representação jurídica dos moradores locais.
A apuração concentra-se nos impactos gerados pelo tráfego contínuo de mais de 300 caminhões pesados. Os veículos realizam o transporte de minério das jazidas situadas no Maciço do Urucum até o Porto Gregório Curvo, operado pela LHG Mining, utilizando a rodovia BR-262 e uma via secundária de acesso. Mais da metade das famílias residentes na comunidade ingressou com ações judiciais em decorrência dos transtornos causados pelo fluxo intenso de transporte.
No despacho de abertura, a Procuradoria da República destacou que a gravidade dos problemas relatados é respaldada por denúncias formais sobre o descumprimento de medidas básicas de mitigação por parte das empresas atuantes na região. Para avaliar a extensão dos danos, foram determinadas vistorias técnicas no leito do Rio Paraguai e nas áreas habitadas, além da realização de perícias especializadas nas áreas ambiental e de saúde pública.
O procedimento investigatório visa quantificar danos socioambientais, urbanísticos e à saúde da população, além de avaliar o risco de contaminação da rede de captação de água e do próprio Rio Paraguai — recurso hídrico essencial para a pesca artesanal, principal fonte de subsistência local. A apuração buscará ainda estabelecer eventuais responsabilidades civis por danos morais e materiais coletivos e definir medidas de reparação integral e contenção de poluentes.
Investigações anteriores que tratam de supostas irregularidades no processo de licenciamento ambiental das operações de lavra e escoamento da empresa também foram anexadas ao procedimento. Os documentos apontam para a exposição contínua dos moradores a ruídos elevados e a nuvens de poeira mineral.
Entre os quadros clínicos relatados pelos residentes e citados na petição inicial estão o agravamento de problemas respiratórios (como asma, bronquite, rinite e sinusite), sangramentos nasais, lesões dermatológicas, irritações oculares e distúrbios de sono decorrentes do estresse contínuo.
A mineradora LHG Mining recebeu o prazo de 15 dias para apresentar suas manifestações quanto às alegações. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá foi requisitada a fornecer dados estatísticos e relatórios epidemiológicos com o histórico de atendimentos médicos registrados na região desde dezembro de 2025.






