Investigação aponta honorários de R$ 20 milhões pagos pela JBS a advogado em MS

| Créditos: Foto: Arquivo/ 4oito


Relatório da Polícia Federal detalha movimentações financeiras entre a multinacional e o escritório Pimentel & Mochi, cujos valores são considerados atípicos para o mercado regional.

A Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Ultima Ratio, identificou o pagamento de mais de R$ 20,8 milhões pela empresa JBS S.A. ao escritório de advocacia Pimentel & Mochi Advogados Associados. O montante, transferido num intervalo inferior a um ano — entre dezembro de 2022 e agosto de 2023 —, despertou a atenção das autoridades por superar os padrões habituais do setor jurídico em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o inquérito policial, o advogado Rodrigo Pimentel, sócio do escritório, foi indiciado por suspeita de corrupção passiva. Especialistas do setor jurídico consultados indicam que honorários desta magnitude normalmente corresponderiam a causas com valores envolvidos superiores a R$ 200 milhões, o que gera questionamentos sobre a natureza específica dos serviços prestados.

Detalhes das Movimentações

Os repasses ocorreram através de seis pagamentos principais. A quebra de sigilo bancário revelou transferências que variaram de R$ 1,2 milhão a R$ 6 milhões. O relatório assinado pelo delegado Marcos André Araújo Damato sugere que os valores totais podem ser ainda maiores, uma vez que o rastreamento se limitou ao período até setembro de 2023.

Além dos contratos com a gigante do setor de proteínas, a investigação aponta um crescimento patrimonial expressivo do advogado nos últimos anos. Os rendimentos declarados por Pimentel saltaram de cerca de R$ 52 mil em 2017 para mais de R$ 9,2 milhões em 2022.

Outro Lado

Em sua defesa perante a Polícia Federal, Rodrigo Pimentel afirmou que os valores são referentes a serviços advocatícios legítimos, devidamente faturados e tributados. O advogado sustenta que a divulgação das cifras prejudica a sua reputação profissional, uma vez que não haveria prova de irregularidade nas atividades contratadas.

A JBS, em nota oficial, confirmou a atuação do escritório Pimentel & Mochi em diversos processos da companhia e reiterou que o pagamento de honorários seguiu os trâmites de contratação de qualquer outra banca de advocacia que presta serviços à empresa.

Desdobramentos

O indiciamento de Pimentel também abrange suspeitas de intermediação em decisões judiciais, baseadas em transações financeiras realizadas em 2018 com familiares de magistrados. O caso segue sob análise da Justiça Federal.

Com informações do Correio do Estado

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