Interventor nega existência de dívida de R$ 27 milhões apontada por concessionária de transporte

| Créditos: Divulgação/PMCG


A gestão temporária do sistema de transporte coletivo de Campo Grande entrou em rota de colisão com a concessionária responsável pelo serviço após a divulgação de uma cobrança milionária. O Consórcio Guaicurus encaminhou uma notificação extrajudicial à Prefeitura reivindicando o pagamento de R$ 27 milhões, mas a equipe de interventores classificou o montante como infundado e sem respaldo documental.

O interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira afirmou que a comissão ainda não recebeu oficialmente o documento, mas adiantou que a resposta será apresentada assim que houver o protocolo formal. Ele destacou que a concessionária não contestou os cerca de R$ 20 milhões em passivos apontados pela auditoria conduzida durante a intervenção, mas divulgou supostos créditos sem apresentar registros contábeis ou reconhecimento municipal.

"Os R$ 27 milhões mencionados representam uma expectativa unilateral, sem qualquer comprovação. Atualmente, não existe crédito reconhecido, liquidado ou exigível nesse montante", declarou Oliveira. Ele garantiu que eventual documentação apresentada será avaliada com rigor técnico.

O embate financeiro ocorre em meio à divulgação dos primeiros resultados das auditorias iniciadas após a decretação da intervenção, em 16 de junho. O relatório preliminar apontou um cenário crítico, com uma das empresas do consórcio acumulando R$ 20 milhões em dívidas com bancos e fornecedores, incluindo distribuidoras de combustível.

As análises também identificaram fragilidades operacionais significativas, como manutenção preventiva insuficiente, frota envelhecida — com cerca de 190 ônibus com mais de dez anos de uso — e atrasos no recolhimento de tributos desde 2014. A comissão afirma que esses dados evidenciam dificuldades administrativas acumuladas ao longo dos anos.

Os trabalhos de investigação prosseguem com o objetivo de apurar as causas da deterioração do serviço. Segundo a comissão, as apurações seguem de forma técnica e transparente, com análise de contratos, documentos financeiros e garantia de contraditório. Não há previsão de conclusão antecipada sobre responsabilidades.

A intervenção, determinada pela prefeita Adriane Lopes, tem prazo de até seis meses para que a comissão avalie a situação financeira, operacional e administrativa da concessão. Ao final, um relatório poderá recomendar desde a devolução da gestão ao consórcio até sanções ou caducidade do contrato.

Em entrevista recente, o interventor já havia alertado que o transporte coletivo poderia paralisar "mais cedo ou mais tarde" sem a medida, devido à situação financeira do consórcio e às condições de segurança da frota. Ele também não descartou a possibilidade de decretação da caducidade ao término do processo.

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