Infraestrutura e indústria impulsionam repasses do BNDES em Mato Grosso do Sul
- porRedação
- 02 de Junho / 2026
- Leitura: em 7 segundos

| Créditos: Reuteres/Sergio Moraes/Direitos reservados
Entre janeiro de 2023 e o primeiro trimestre de 2026, os desembolsos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$ 12,8 bilhões em Mato Grosso do Sul. O montante representa pouco mais de metade dos R$ 20,5 bilhões aprovados para o estado no período e indica uma mudança no perfil econômico local, com forte direcionamento para os setores de infraestrutura e projetos industriais, além de aportes na agropecuária, comércio e serviços.
O volume financeiro aprovado nos últimos anos configura um crescimento de 207,4% quando comparado ao intervalo de 2019 a 2022, cuja liberação somou R$ 6,67 bilhões. De acordo com o balanço institucional, a tendência de alta se manteve no começo deste ano. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os repasses efetuados atingiram R$ 1,05 bilhão — uma elevação de 346,1% em relação aos mesmos três meses do ano anterior.
Mudança no perfil dos investimentos
Dados consolidados pela Fiems Conecta sinalizam que os repasses do banco de fomento no estado cresceram 329,5% no período de cinco anos compreendido entre 2021 e 2025. A variação foi liderada pelo segmento de infraestrutura, que registrou uma expansão de 821% nos desembolsos. O setor saltou de R$ 419 milhões em 2021 para R$ 3,86 bilhões em 2025, passando a concentrar 55,1% de todo o crédito liberado no ano passado, que totalizou o recorde de R$ 7 bilhões.
O setor industrial também apresentou expansão significativa, com alta de 500% nos recursos liberados ao longo de cinco anos. O faturamento recebido passou de R$ 185 milhões em 2021 para R$ 1,11 bilhão em 2025 (15,8% do montante anual). A destinação desse crédito focou majoritariamente na indústria de materiais de transporte (63,2%) e no segmento de alimentos e bebidas (25,2%). O cenário difere de 2021, quando as operações se concentravam nos ramos de celulose e papel (51%) e alimentos e bebidas (31%).
Nos demais setores, o panorama apresentou o seguinte comportamento nos últimos cinco anos:
Agropecuária: Registrou evolução de 47,6%, subindo de R$ 786 milhões em 2021 para R$ 1,16 bilhão em 2025, o que equivale a 16,5% da fatia anual.
Comércio e Serviços: Apresentou crescimento de 263%, variando de R$ 243 milhões para R$ 882 milhões no fechamento do ano passado (12,6% do total).
Demanda regional e articulação por crédito
Especialistas e representantes do setor produtivo local apontam que o fluxo de financiamento acompanha os aportes privados de grande porte no estado, voltados a áreas como celulose, logística, energia, biocombustíveis e as obras ligadas à Rota Bioceânica. A transição do foco do crédito — que antes priorizava a agropecuária e passou a se concentrar em infraestrutura e indústria — é avaliada tecnicamente como um indicador de sofisticação da economia estadual.
Apesar da expansão estatística, analistas da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) ponderam que ainda há uma demanda reprimida por recursos financeiros no mercado local. A busca das empresas por crédito esbarra no atual patamar da taxa básica de juros (Selic), o que eleva a procura por linhas de fomento que ofereçam taxas mais competitivas e atrativas para sustentar a modernização tecnológica e a sustentabilidade no longo prazo.
Como alternativa para mitigar essa lacuna, a Fiems iniciou tratativas formais com o BNDES em maio deste ano. O objetivo da aproximação é transformar a agência de desenvolvimento regional da federação em um polo descentralizado de atendimento do banco no estado, permitindo simplificar o acesso a linhas de financiamento com condições diferenciadas para o parque fabril sul-mato-grossense.






