Ibovespa volta a subir e fica perto de recorde; Banco do Brasil é destaque
- porInfoMoney
- 10 de Setembro / 2025
- Leitura: em 7 segundos

| Créditos: Shutterstock
Depois de duas quedas seguidas, o Ibovespa voltou a subir: mais 0,52%, aos 142.348,70 pontos, um ganho de mais 738,41 pontos. É o segundo maior patamar de fechamento da história, perdendo apenas para 5 de setembro último, com que terminou com 142.640,14 pontos.
O real conseguiu se valorizar frente ao dólar, que caiu 0,53%, a R$ 5,407. E os DIs (juros futuros) terminaram o dia mistos.
Preços ao produtor caem nos EUA
A volta do ânimo tem um motivo: a certeza. Dizem que quando há asa de galinha, pé de galinha, bico de galinha, cheiro de galinha e gosto de galinha, só pode ser galinha. É o que os investidores acharam sobre o passo que o Federal Reserve deve dar semana que vem, em sua reunião para decidir as taxas de juros. Tem cara de corte, tem cheiro de corte, tem gosto de corte: só pode ser corte.
A canja deliciosa e aguardada pelo mercado financeiro global ganhou mais um ingrediente certo: o índice de preços do produtor (PPI) divulgado hoje nos EUA, com deflação inesperada.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, ressaltou que “a deflação no PPI entusiasmou o mercado, abrindo espaço para renovação dos recordes atingidos ontem na esteira de apostas ainda mais fortes no corte de juros pelo Fed na semana que vem, com mais players apostando inclusive em um corte de 0,5 ponto em vez do tradicional ritmo de 0,25, que ainda é o consenso”.
A bem da verdade, em Wall Street, a boca do investidor até encheu de saliva, mas antes de levar a canja de galinha à boca, preferiu-se esperar. Os principais índices terminaram mistos e sem força. Isso porque o PPI animou, mas todos acharam melhor esperar o CPI (índice de preços ao consumidor) sair amanhã para cair de boca na euforia. Tem cara de corte, cheio de corte, desejo de corte, mas muita calma nessa hora. Como prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém, melhor esperar.
O conselho, parece, só não vale para o presidente dos EUA, Donald Trump, que, como de praxe, voltou a cobrar e criticar Jerome Powell, presidente do Federal Reserve.
IPCA tem deflação mais fraca que o esperado
Deflação lá, deflação aqui. O IPCA de agosto recuou 0,11%. Mas o ânimo do Ibovespa não tem a ver com isso. O mercado até torceu o nariz para o número nacional, porque esperava deflação maior.
Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, ressaltou que o índice de difusão avançou de 50% para 57% e que “a surpresa negativa apenas reforça que o Copom deve manter a taxa de juros inalterada na próxima reunião e conservar o tom duro sobre os próximos passos, para garantir a continuidade do processo de ancoragem nas expectativas de inflação. A avaliação do mercado ainda é de que o início do ciclo de corte de juros deve ser no primeiro trimestre de 2026”. A canja daqui é garantida pela galinha norte-americana.
De quebra, houve deflação também na China, mas uma baixa nos preços mais forte do que se esperava.
Julgamento de Bolsonaro tem 1ª divergência
No campo político, ainda que com impacto indireto nos preços dos ativos, o ministro Luiz Fux deu no STF uma esperança aos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, com seu voto divergente no julgamento da tentativa de golpe de Estado.
Para ele, atos “nefastos” não configuram crime de abolição do Estado de Direito. Há caminho agora para que defesas recorram.
Vale e Petrobras sobem
No caldo dos negócios na Bolsa brasileira, as ações com mais “sustânça” subiram e garantiram que os dados saborosos nos EUA se tornassem uma sopa consistente. A Vale (VALE3) ganhou 0,69%, após reduzir previsão de capex. A Petrobras (PETR4) subiu 1,81%, igualmente com redução de capex, para favorecer pagamento de dividendos.
Mas quem deu mais sabor a essa canja foi mesmo o Banco do Brasil (BBAS3), com alta encorpada de 3,04% e maior volume de negócios do dia. Seus pares também subiram, mas com menor intensidade. Bradesco (BBDC4) até caiu: 0,71%.
Os varejistas igualmente contribuírem para dar sabor nesta quarta-feira: Magazine Luiza (MGLU3) voltou a subir, com mais 3,70%, se aproximando novamente dos R$ 10; e Lojas Renner ganhou 2,37%, na máxima do dia.
Embraer (EMBR3) entornou o caldo e pudera: foi uma tremenda montanha-russa hoje, chegando a subir mais de 1%, mas fechando com menos 1,60%, após anúncio parrudo nos EUA. Já WEG (WEGE3) avançou 0,81%, ao se tornar líder do setor de motores elétricos, fato saudado por analistas.
Nessa semana decisiva para a decisão de taxas de juros, que acontece semana que vem tanto no Brasil quanto nos EUA, o CPI de manhã será o tempero final. Tem cheiro de galinha, bico de galinha, pé de galinha, asa de galinha, mas para ter gosto de galinha é bom que não erre na receita.
(Fernando Augusto Lopes)






