Ibovespa vira nos minutos finais e consegue sexta alta consecutiva
- porInfoMoney
- 07 de Abril / 2026
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“Uma civilização inteira vai morrer esta noite”, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto o mundo esperava por falas que amenizassem os atritos com o Irã. Para os mercados financeiros, o resultado não poderia ser diferente: azedou geral.
Mas isso até os 45 minutos do segundo tempo, porque bem próximo do fechamento tanto em Nova York quanto em São Paulo, a Casa Branca veio a público dizer que uma proposta feita pelo Paquistão havia chegado a Washington.
O Ibovespa, que vinha caindo com certa amplitude, virou nos leilões finais e terminou na máxima do dia, com mais de 0,05%, aos 188.258,91 pontos, uma alta de 96,94 pontos. É a sexta alta consecutiva e a terceira abaixo dos 0,10%.
O real perdeu terreno, não teve tempo de recuperação e viu o dólar comercial subir 0,33%, a R$ 5,164. Os DIs (juros futuros) subiram por toda a curva.
Proposta do Paquistão
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu que o presidente dos EUA, Donald Trump, adie o prazo final para as negociações de paz com o Irã por mais duas semanas.
Além dos EUA, o premiê paquistanês pediu que o Irã conceda a reabertura do Estreito de Ormuz pelo período correspondente de duas semanas como gesto de “boa fé” durante as negociações de paz.
O anúncio feito pela Casa Branca de que Trump havia recebido tal proposta aliviou bastante os mercados.
Os principais índices em Nova York fecharam mistos, depois de passarem o dia em forte baixa, com o VIX, o índice de volatilidade ainda acelerando mais de 6%. Na Europa, os mercados terminaram no vermelho, pois já estavam fechados quando a notícia chegou.
Petróleo na gangorra
“Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais retornar. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, escreveu Trump em uma rede social logo pela manhã, assustando os investidores. “No entanto, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, quem sabe? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo”.
O jeito apoteótico de anunciar e governar não esconde o básico: a incerteza segue dominando o mundo e a nova crise do petróleo já é pior do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas, segundo a Agência Internacional de Energia.
Do outro lado, o Irã disse que não será flexível enquanto os EUA exigirem rendição completa. O país ameaçou atacar alvos energéticos e privar a região de petróleo e gás por anos.
Com toda essa tensão, o petróleo subiu mais do que drones e foguetes e chegou a bater mais de 3%, antes de arrefecer a fúria e fechar próximo da estabilidade. A calmaria se deu porque, por trás de toda a verborragia, já se sinalizava algum progresso nas negociações de paz.
Inflação nos EUA assusta
Enquanto isso, longe das bombas, os eleitores de Trump e os não-eleitores de Trump sofrem com algo mais cotidiano: a inflação. Os consumidores dos EUA já esperam por alta de preços na casa de 3,4%.
Se Trump vai cumprir seu ultimato ou não, é preciso esperar algumas horas. Vale lembrar que ele já latiu em outras ocasiões, mas não mordeu – que não quer dizer que não morda agora. O mercado, nesse meio tempo ou espera ou projeta ou reza ou torce ou tudo junto.
Cenário doméstico
No Brasil, o governo federal não pode esperar e teve que divulgar nova rodada de medidas para tentar amenizar a inevitável alta dos combustíveis, ainda mais em ano de eleição.
Para o governo, segundo o Morgan Stanley, repassar integralmente a alta do diesel seria um erro. O combustível tem efeito cascata sobre fretes, alimentos e transporte, e um choque desses chegaria rápido ao IPCA.
A atual crise pode agravar uma outra crise persistente com nome e sobrenome bem brasileiros: o endividamento das famílias, que bateu recorde em março, indo a 80,4%. Dados da CNC mostram que juros futuros altos e pressão dos combustíveis elevam busca por crédito enquanto efeitos do corte da Selic não chegam ao consumidor final. Nesse ponto, o governo federal tenta ajudar os endividados, com renegociação e restrição do uso de bets.
Petrobras em baixa e Vale em alta
No campo das ações, Petrobras (PETR4) contrariou a lógica e desceu 0,88%, mas as petroleiras juniores avançaram em bloco, com Brava Energia (BRAV3) ganhando 0,90%.
Vale (VALE3) subiu 0,72%, com minério de ferro voltando a andar para frente, na volta do feriadão chinês.
Os grandes bancos vinham descendo juntos, mas ganharam impulso no final, com o Paquistão e terminaram mistos: BB (BBAS3) subiu 0,04%, Bradesco (BBDC4) ganhou 0,70%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 0,07% e Santander (SANB11) desvalorizou 0,97%.
MRV (MRVE3) desmoronou 9,45%, após prévia do 1T26. Embora a geração de caixa tenha permanecido positiva em termos brutos, o impacto da transferência de clientes para a Caixa frustrou as expectativas.
Vivara (VIVA3) desceu 0,88%, com ouro em alta: preços mais altos pressionam margens da companhia, mas mercado ainda aposta em meios de mitigar efeitos negativos.
Se o mundo e as civilizações ainda estiverem de pé nesta quarta-feira, dá tempo de, por baixo dos escombros diplomáticos, acessar a ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve.
O ritmo dos acontecimentos é tão acelerado que o que se pensou semanas atrás já está na Idade da Pedra, e o que se leu agora pode não valer segundos depois. (Fernando Augusto Lopes)






