Ibovespa tem terceira queda seguida e semana termina em baixa; Petrobras desaba

| Créditos: Reprodução/Infomoney


Sextou! Um sextou especial, pois é véspera de feriadão e porque foi um dia e tanto. Para quem perdeu o fio da meada desta sexta-feira encantadora para o mundo, aqui vão alguns acontecimentos que fizeram, ao cabo, o Ibovespa terminar com baixa de 0,55%, aos 195.733,51 pontos, uma queda de 1.085,08 pontos, a terceira seguida, que ajudou a semana a terminar com menos 0,81%. encerrando uma sequência de três semanas positivas.

Quem viu o Ibovespa na parte da manhã e viu agora no fechamento, pode estar se perguntando que diacho aconteceu. Geograficamente, Estreito de Ormuz é a resposta. Politicamente, Donald Trump é a razão. Financeiramente, Wall Street.

O Ibovespa começou o dia chutando portas, em um sai-da-frente alucinado. Alta próxima de 1% e 198.665,65 pontos na máxima. Havia uma real possibilidade de ser hoje a sessão que romperia a barreira histórica dos 200 mil pontos – o Ibovespa Futuro já opera lá desde quarta-feira. Entretanto, não foi o que aconteceu.

Ormuz aberto, Petróleo derrete

Foi o petróleo que esfriou a euforia do Ibovespa. Os futuros das principais referências do petróleo despencaram em torno de 10%, levando a commodity para a casa dos US$ 90. As petroleiras nacionais foram junto, o que fez o Ibovespa perder o ímpeto. Isso porque o Irã havia confirmado que o Estreito de Ormuz estava totalmente aberto.

“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada totalmente aberta durante o restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã”, publicou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em uma rede social.

Trump, presidente dos EUA, correu também para as redes sociais para comemorar: “o Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e passagem plena, mas o bloqueio naval continuará em plena força e efeito no que se refere ao Irã, apenas, até o momento em que nossa transação com o Irã esteja 100% completa”, escreveu.

Novas conversas entre os dois países, para detalhar os pontos do acordo, devem acontecer neste final de semana. De bandeja, ainda reforçou cessar-fogo de Israel com Líbano, algo que o Hezbollah concordou, e proibiu Israel de atacar o vizinho.

Petrobras desaba

Pouco mais de uma hora depois de abrir, o Ibovespa passou a apresentar um movimento mais contido, refletindo a dinâmica mista entre seus principais pesos. A Petrobras (PETR4) perdeu 4,86%, mas chegou a cair mais de 8%. A PRIO (PRIO3) recuou 4,03%, embora também tenha descido mais de 7%. Petrorecôncavo (RECV3) desceu 4,12% e Brava (BRAV3) caiu 6,28%.

Para Bruno Cordeiro, especialista em inteligência de mercado da Stonex, esse recuo expressivo reflete, principalmente, a retirada dos prêmios de risco de oferta no mercado. A decisão por parte do regime iraniano eleva as expectativas de normalização dos fluxos de petróleo e derivados provenientes do Golfo Pérsico para o restante do mundo. “Ainda assim, em um primeiro momento, é natural observar maior cautela por parte das companhias marítimas na alocação de seus ativos na região, especialmente no trânsito pelo Estreito de Ormuz”, afirmou.

Vale sobe com produção

A alta inicial tinha um outro componente para manter o mercado eufórico, a Vale (VALE3), que divulgou resultados de produção no 1T26 empolgantes: alta final de 2,64%, na máxima do dia.

Para analistas, a Vale entregou mais um conjunto robusto de resultados, com crescimento de produção em base anual em todas as linhas, reforçando a leitura de execução consistente, mesmo diante de desafios pontuais, como chuvas mais intensas e restrições temporárias em algumas minas.

O Ibovespa passou a tentar se equilibra entre as duas forças. “De um lado, a forte queda do petróleo pressionou significativamente Petrobras, que tem grande representatividade no índice, bem como outras empresas do setor de energia. Por outro, Vale avançou mais de 1%, ajudando a limitar perdas mais acentuadas. Ainda assim, a alta da mineradora não foi suficiente para compensar o impacto negativo do setor de energia, mantendo o índice em um movimento mais moderado”, apontou no meio da sessão Renê Sobral, Trader da StoneX DTVM.

O dólar comercial chegou a cair forte, antes de amenizar perdas e terminar com menos 0,19%, a R$ 4,983. Na mínima, foi a R$ 4,950. O DIs (juros futuros) tiveram fortes baixas por toda a curva com o efeito Ormuz.

Wall Street bate recordes

Em Nova York, a euforia foi maior e complicou também o bom momento do Ibovespa. Os donos do dinheiro resolveram ganhar dinheiro lá e rasparam o tacho em tudo quanto é lugar, incluindo o Brasil.

Os principais índices em Wall Street bateram recordes históricos, chegaram operar com ganhos de mais de 2%, mas diminuíram o ritmo, ainda fechando com fortes altas. As Bolsas europeias ficaram majoritariamente no azul, até porque o FMI fez alerta sobre o impacto da guerra no crescimento da região.

Bancos avançam

No Brasil, o final melancólico do Ibovespa nesta sexta-feira ainda teve os bancos em alta, tentando ajudar a Vale a equilibrar as perdas das petroleiras: BB (BBAS3) subiu 0,49%, Bradesco (BBDC4) ganhou 1,97% e Santander (SANB11) valorizou 0,45%. O Itaú Unibanco chegou a virar para negativo e acabou com menos 0,38%. A B3 (B3SA3) terminou com baixa de 1,77%.

Sabesp (SBSP3) ficou com mais 0,46%, com analistas reiterando a ação como principal recomendação do setor. Embraer (EMBJ3) terminou com alta de 1,83%. Os varejistas acabaram em sua maioria no azul, com destaque para a alta de 2,52% da Lojas Renner (LREN3). E as siderúrgicas avançaram em bloco, com Usiminas (USIM5) subindo 3,15%.

Nada disso foi páreo para a baixa das petroleiras e para a continuidade do ajuste, depois que o Ibovespa ficou onze sessões no azul e renovou por cinco dias seguidos a máxima histórica.

A semana que vem será mais curta. É feriadão de Tiradentes. Segunda-feira, o fluxo interno deve ser menor, terça-feira tem Bolsa fechada. Apesar disso, o mundo segue em alerta e torcendo para as possíveis conversas no Paquistão agora darem certo, neste final de semana. Sextou? 

(Fernando Augusto Lopes)

Compartilhe: