Ibovespa tem nova queda, de olho na geopolítica; Petrobras sobe

| Créditos: Reprodução/Infomoney


O Ibovespa emendou a segunda queda consecutiva, após as onze altas em sequência. Hoje, a baixa foi idêntica à de ontem, com menos 0,46%, aos 196.818,59 pontos, uma perda de 919,02 pontos. Não foi, claro, sem emoção. Durante a manhã, o índice chegou a recuperar os 198 mil pontos, antes de firmar a trajetória negativa.

Ainda assim, o Ibovespa está 8 mil pontos acima do patamar que estava antes da guerra no Oriente Médio começar – fechou em 27 de fevereiro, na véspera do conflito começar, com 188.786,98 pontos.

O real encerrou uma sequência de 6 ganhos, mas nem dá para considerar, já que o dólar comercial ficou com uma alta bastante curta, de 0,02%, a R$ 4,993. Os juros futuros (DIs) fecharam com altas por toda a curva, depois de dias de indecisão e oscilação.

Incertezas no Oriente Médio

As incertezas seguem emanando do Oriente Médio e essa é a régua que tem determinado o humor dos investidores. Pela manhã, havia uma esperança de que um acordo definitivo fosse fechado entre Irã e EUA. Notícias davam conta de que os persas poderiam permitir o trânsito livre de navios pelas águas de Omã do Estreito de Ormuz.

Mas logo a tarde chegou com uma outra possibilidade: EUA e Irã podem levar seis meses para firmar acordo, segundo autoridades do Golfo e da Europa. O pessimismo fez o petróleo ampliar as altas e se reaproximar dos US$ 100.

Logo depois, Donald Trump, presidente dos EUA, falou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e ambos concordaram com um cessar-fogo de dez dias. O caso é que o Hezbollah não estava à mesa (ou ao telefone) e o grupo militar disse que enquanto Israel estivesse presente no sul do Líbano, tinha o “direito de resistir”. Neste final de semana, Trump espera que Irã e EUA definitivamente cheguem a um acordo.

Sem uma assinatura definitiva de acordo, esse vai-não-vai eleva a desconfiança do investidor. Em Wall Street, os índices até subiram, mas pouco, embora o S&P 500 e o Nasdaq renovaram suas máximas históricas. Na Europa, os índices terminaram sem direção definida, com analistas dizendo que a guerra obscurece as perspectivas para temporada de balanço no continente.

Cenário doméstico

No Brasil, saiu a prévia do PIB. O IBC-Br de fevereiro tem o que se chamou de “foto” positiva, mas a manchete esconde uma desaceleração gradual da atividade.

Na avaliação de Rodolfo Margato, economista da XP, o IBC-Br excluindo a agropecuária (alta de 0,6% no mês) demonstrou ”solidez no ganho de velocidade da atividade doméstica, e os números acabam reforçando a visão de um primeiro trimestre de 2026 robusto em termos de atividade geral”. Mas Leonardo Costa, economista do ASA, disse que o qualitativo do dado sugere cautela.

A Instituição Fiscal Independente (IFI) disse que a escalada da guerra no Oriente Médio deve custar caro à economia brasileira no biênio 2026-2027, adicionando até 1 ponto percentual à inflação e ameaçando anular os ganhos do país com a exportação de petróleo.

Só que Dario Durigan, ministro da Fazenda, entende que o Brasil está “forte” para enfrentar choque global de preços de energia: “a economia brasileira encontra-se em posição robusta para lidar com os efeitos significativos do choque global nos preços de energia”.

Petrobras sobe e bancos oscilam

No campo das ações, Petrobras (PETR4) voltou a subir forte, acompanhando a alta do petróleo: mais 3,60%. PRIO (PRIO3) foi na mesma linha, com mais 1,68%, mas nem todas as petro juniores, já que Brava (BRAV3) caiu 1,74%, com reservas diminuindo.

Entre os bancos, apenas Bradesco (BBDC4) apresentou avanço, com 0,24%. Os demais caíram, pressionando o Ibovespa e dando sequência ao ajuste iniciado ontem, depois de onze altas seguidas do índice: BB (BBAS3) perdeu 0,49%, Itaú Unibanco (ITUB4) desceu 0,13% e Santander (SANB11) desvalorizou 0,73%. B3 (B3SA3) perdeu 0,30%, mesmo com volumes mais fortes que levou às máximas recentes do índice.

Vale (VALE3) desceu 1,13%, se desprendendo da alta do minério de ferro do outro lado do mundo.

Os frigoríficos sofreram novamente. Minerva (BEEF3) caiu 1,44% e MBRF (MBRF3) virou no final e ganhou 0,26%, depois de uma sessão quase toda no negativo, após as fortes perdas de ontem.

Ambev (ABEV3) perdeu 2,53%, com rebaixamento de recomendação por parte de analistas, após rali recente.

A sexta-feira, véspera de feriadão prolongado de Tiradentes (a Bolsa abre na segunda-feira, vale ressaltar), tem uma trégua nos indicadores econômicos, após uma semana agitada. A agenda está esvaziada.

Mas o que o mercado quer mesmo é uma trégua nas hostilidades no Oriente Médio para retomar o caminho das altas. 

(Fernando Augusto Lopes)

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