Ibovespa recua em dia de novas sanções contra o Brasil, mas Vale e Petrobras sobem
- porInfoMoney
- 22 de Setembro / 2025
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| Créditos: Reprodução/Infomoney
O Ibovespa fechou com queda de 0,52%, aos 145.109,25 pontos, uma perda de 755,86 pontos, após uma semana bastante positiva, que acumulou alta de 2,53%. O dólar comercial se valorizou frente ao real, com mais 0,33%, a R$ 5,338. E os DIs (juros futuros) subiram por toda a curva.
Novas sanções dos EUA ao Brasil
A queda de hoje teve um motivo um tanto esperado, mas grosseiro: os EUA voltaram a impor sanções contra brasileiros, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O governo brasileiro recebeu essas sanções com “profunda indignação”.
O governo Trump revogou o visto do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. A decisão foi anunciada no mesmo dia em que a Casa Branca ampliou sanções contra a família do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Enquanto o STF e a AGU soltaram notas protocolares de repúdio a agravamento “de um desarrazoado conjunto de ações unilaterais, totalmente incompatíveis com a pacífica e harmoniosa condução de relações diplomáticas e econômicas edificadas ao longo de 200 anos entre os dois países”, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, declarou que “não existe Clyde sem Bonnie”, para sancionar a esposa de Moraes, em uma referência à dupla de bandidos norte-americanos que circulou durante a Grande Depressão e virou personagens famosos no cinema.
PGR denuncia filho de Bolsonaro
O Brasil, por sua vez, não pisca um único segundo nesse duelo e segue sentado em sua soberania e resolvendo assuntos internos internamente.
Hoje, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Renato Figueiredo ao STF pelo crime de coação no curso do processo – essa é a dupla que está cavando as sanções de Trump contra o Brasil. A reação dos EUA sobre isso deve ser esperada.
Protestos populares e reação do Congresso
Já a reação nas ruas foi de repúdio aos ataques à soberania nacional. Neste domingo, dezenas de milhares de pessoas em muitas capitais brasileiras aproveitaram o domingo para dizer não ao projeto de anistia aos golpistas já condenados e não ao projeto que blinda os parlamentares de serem investigados por quaisquer crimes.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, acuado diante do óbvio, disse em evento de um banco que o Parlamento precisa priorizar debates econômicos e deixar de lado o que chamou de “pautas tóxicas”. Tanto que anunciou que a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil pode ser votada semana que vem. Como na política o que se diz hoje não se assina amanhã, é melhor esperar.
Banco otimista com o Brasil
Na campo econômico, em mesmo evento que Motta participou, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil terá o melhor PIB médio dos últimos 12 anos, além da menor inflação.
O mercado, porém, como de praxe no caso do Brasil, desconfia. Mas tem analista que está em uma posição de “pera lá, não é bem assim”. Em relatório recente, um banco defendeu tese otimista para o Brasil, e apontou que há medo exagerado de dominância fiscal.
Para os analistas, o mercado internacional está superdimensionando os riscos fiscais no Brasil, sustentando que, embora investidores ainda carreguem memórias da forte aversão a ativos brasileiros no fim de 2024, os fundamentos do país diferem de forma marcante da Turquia, país frequentemente usado como alerta em discussões sobre “dominância fiscal” em emergentes.
Bancos mistos e Vale e Petrobras em alta
Nessa dúvida toda, pesaram mesmo sobre as negociações em São Paulo as sanções norte-americanas, vistas como mais um entrave para a revogação das elevadas tarifas impostas pelo governo Trump.
Especialmente os bancos caíram: Banco do Brasil (BBAS3) desceu 0,51% e Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 1,44%. Os principais bancos brasileiros buscam reforçar atuação nos EUA para evitar serem alvos da Lei Magnitsky.
A queda do dia no IBOV não foi maior porque Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) subiram: respectivamente, 0,14% e 1,00%. No caso da mineradora, analistas melhoraram projeções e passaram a ver janela para dividendos e recompra.
Embraer (EMBR3) decolou 4,63%, com mais uma encomenda bilionária, agora da LATAM. E a Suzano (SUZB3) até vinha em alta, mas perdeu 0,30%, com notícia de que o Cade aprovou aquisição de parte da operação da Kimberly-Clark.
Cosan desaba
O que ajudou bastante a derrubar a Bolsa hoje não foi nem as sanções dos EUA e nem mesmo as preocupações fiscais ou o Congresso Nacional, mas a baixa de 19,07% da Cosan (CSAN3), que anunciou oferta de R$ 10 bilhões.
Segundo a empresa, o movimento mira não só desalavancagem, mas também reforçar a governança da companhia e prepará-la para a sucessão no futuro do acionista controlador.
Nesta terça-feira, as atenções voltam-se para a Ata da reunião da semana passada do Copom, além das falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e da abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, onde o presidente Lula faz a abertura, antes de Donald Trump tomar os microfones. Eles irão se encontrar? Irão se cumprimentar? O que irão dizer e quais recados passarão? Diplomaticamente, aguardaremos.
(Fernando Augusto Lopes)






