Ibovespa hoje fecha em queda, com correção e na contramão do exterior

| Créditos: Reprodução/Infomoney


Sextou! É um sextou diferente porque é em emenda de feriado e muita gente, na verdade, “quartou” e está de papo para o ar desde quarta-feira. Mas quem se apresentou para o batente hoje não veio com pouco assunto e é preciso entender o movimento de queda do Ibovespa nesta sessão: menos 0,39%, aos 154.770,10 pontos, uma baixa de 610,56 pontos. Foi um dia de pouca liquidez.

A baixa de hoje contribuiu para a primeira semana negativa desde outubro: menos 1,88%, após cinco semanas seguidas no azul. Foi também a primeira semana com todos os pregões no vermelho (nesse, apenas quatro, por conta do feriado de ontem), desde julho, quando entre 7 e 11 daquele mês, os cinco pregões ficaram negativos.

O real também sucumbiu e o dólar comercial ficou com alta ampla de 1,18%, a R$ 5,401. Os DIs (juros futuros) terminaram a sexta-feira de forma mista.

Tarifaço diminui

Foi um feriado recheado, mas o assunto do dia foi mesmo a retirada de tarifa de 40% dos EUA que beneficiou 249 produtos agropecuários do Brasil. O presidente Lula viu o anúncio como uma “vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso”. Para ele, a decisão foi um “passo na direção certa”, mas é preciso “avançar ainda mais”.

“Com a decisão, esses produtos passam a entrar no mercado americano sem a taxação extra, o que alivia custos, melhora margens e devolve competitividade ao Brasil em relação a outros países que também tiveram tarifas reduzidas recentemente”, apontou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

“O Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”, assegurou o Itamaraty em nota.

Payroll e taxa de juros nos EUA

O feriado também teve a divulgação de dados do mercado de trabalho nos EUA. A manchete mostrou um resultado de geração de vagas muito mais forte do que o esperado. O dado fez as Bolsas nos EUA recuarem ontem.

Mas hoje veio a compensação. O presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, elevou a chance de novo corte de juros em dezembro e animou os mercados. Os principais índices em Wall Street viram uma corrida às compras e subiram.

O diretor Stephen Miran afirmou que, diante do atual cenário econômico, seu voto seria decisivo a favor de um corte de 25 pontos-base caso tivesse o voto de minerva. Embora no seu caso específico a declaração não seja nenhuma surpresa, já que Miran vem advogando por cortes desde que assumiu o posto, escolhido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sua afirmação também animou os investidores.

Ainda há muito debate sobre o que vai acontecer em dezembro na reunião do Fed, mas o  secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que vê “muitos sinais vindo do Federal Reserve, e alguns deles são muito confusos”, em uma forma de pressão. “Eu teria pensado que eles gostariam de tirar um terceiro corte”, disse Bessent em entrevista à Fox News. Ele acrescentou que o Fed deveria olhar para os dados.

Mais dados represados

A questão é que quase não há dados. O diretor do Fed, Michael Barr, disse que o Comitê examinará cuidadosamente os dados mais recentes disponíveis sobre as condições econômicas e financeiras em sua decisão daqui a algumas semanas, mas ele sabe que a tarefa está dificultada justamente por atrasos na divulgação dos números, por conta da recente e prolongada paralisação do governo federal.

E a coisa não se resolve com rapidez. Governo dos EUA cancelou divulgação do payroll de outubro por falta de dados. Também cancelou a divulgação da inflação de outubro. O Fed, pelo visto, vai continuar no escuro.

Vale sobe, bancos mistos e Petrobras cai

Enquanto isso, no mercado doméstico, a Bolsa brasileira segue em processo de correção, após o mais longo rali deste século. O investidor está embolsando os lucros da jornada, mas segue otimista com o Ibovespa. Só aguarda um novo catalisador.

Poucos nomes se salvaram nesta sexta-feira. A Vale (VALE3) oscilou muito, mas terminou com alta de 0,32%, mesmo com o minério de ferro ampliando queda do outro lado do mundo.

Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,95% e Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,30%, no lado positivo do setor; enquanto Bradesco (BBDC4), com menos 0,58%; e Santander (SANB11), com menos 0,30%, ficaram na outra ponta.

Hapvida (HAPV3) respirou um pouco, com alta de 0,46%, ainda em meio às turbulências de novos rebaixamentos, como aconteceu hoje: analistas alertaram para visibilidade limitada e maior pressão sobre margens.

B3 (B3SA3) oscilou a sessão toda e terminou com mais 0,29%, máxima do dia, com administração apontando riscos menores e oportunidades de crescimento.

Ambev (ABEV3) liderou os negócios do dia e subiu 1,57%, ampliando os ganhos do mês, que já passam de 7%, embora semana tenha ficado negativa.

Petrobras (PETR4) é que terminou no vermelho, com menos 0,76%, diante de mais uma baixa do petróleo internacional, que anda sob estresse em meio a novos avanços sobre a situação na Ucrânia.

A próxima semana não tem feriado, só que isso é normal nesse 2025 escasso. Mas tem IPCA-15 de novembro, que sai na quarta-feira (26), com projeção de alta de 0,16%, uma pequena desaceleração em relação ao mês anterior. E têm também, na quinta e na sexta-feira, os dados do Caged e da PNAD, respectivamente.

 (Fernando Augusto Lopes)

Compartilhe: