Ibovespa fecha em queda, com tarifas, julgamento de Bolsonaro e PIB

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O Ibovespa operou hoje na balança da Justiça e acabou pendendo para o negativo, com queda de 0,67%, aos 140.335,16 pontos, uma perda de 947,85 pontos.

O dólar comercial, por sua vez, pendeu para o positivo e subiu 0,65%, a R$ 5,474, enquanto os DIs (juros futuros) também viram seu prato da balança se elevar e subiram por toda a curva.

Wall Street cai na volta do feriado

A Justiça é cega, mas ainda assim faz preço. Especialmente nos EUA – e se faz nos EUA, pode fazer no resto do mundo.

Hoje, foi assim. Ao voltar do feriadão do Dia do Trabalho, os investidores em Wall Street finalmente tiveram que lidar com uma notícia de antes do feriado: que uma Corte por lá considerou ilegais algumas das tarifas implantadas pelo governo Trump. Na primeira sessão após seu conhecimento, o mercado resolveu colocar no banco dos réus mais uma vez a incerteza e os principais índices caíram com amplitude.

“Seja pelo nível das tarifas, pelo momento ou pelas dúvidas sobre sua validade, só podemos aguardar os desdobramentos”, disse Jim Baird, diretor de investimentos da Plante Moran Financial Advisors, sobre a recente decisão judicial.

“Em um horizonte de médio prazo, acreditamos que a incerteza corporativa em relação às tarifas permanecerá elevada, embora menor do que no final da primavera (em abril)”, afirmou Lori Calvasina, chefe de estratégia de mercado acionário norte-americano do RBC, em nota.

As ações na Europa também ficaram para baixo, em uma sessão na qual foram pressionadas pela disparada dos rendimentos dos títulos públicos da região, que atingiram suas máximas em anos.

A despeito dos tribunais, Rússia e China vão apertando os laços, ignorando os EUA, e avançaram em acordo bilionário de gás.

Julgamento de Bolsonaro

No Brasil, as tarifas também preocupam, mas por conta de outro julgamento, o da tentativa de golpe de Estado feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e demais réus.

Como a pressão comercial do governo Trump para cima do Brasil é mais no campo político, em apoio a Bolsonaro, há temores de que uma eventual condenação possa endurecer ainda mais o julgamento do presidente dos EUA com relação ao nosso país e novas tarifas possam surgir.

PIB brasileiro no 2T25

Mas o dia foi também para o mercado julgar a saúde econômica brasileira, com o PIB do 2T25 ficando mais forte do que o esperado. Mais forte, mas em desaceleração. Cada um julga como quer ver o copo, se meio cheio ou meio vazio.

Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados, afirmou que “é como se o motor do carro tivesse perdido um pouco de potência”. “A economia já não está crescendo tanto quanto no primeiro trimestre. A razão é a agropecuária, que foi a estrela no primeiro trimestre, mas agora está tirando o pé do acelerador. Isso é natural no primeiro trimestre, que é o período de colheita e há um crescimento maior”.

Rafael Perez, economista da Suno Research, destacou que os sinais de moderação após o forte crescimento no início do ano são reflexo da política monetária, que deve se estender para o segundo semestre.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse que o País continua no “caminho certo”, com expansão da renda e diminuição das desigualdades. Mas no julgamento do próprio Ministério da Fazenda, há um “leve viés de baixa” para projeção de crescimento de 2,5% do PIB de 2025.

Na letra fria da lei e dos números, não teve jeito: pareceu pior do que parece, com o PIB brasileiro ficando apenas em 32º lugar em um ranking de 55 países no 2T25, depois de comemorar o 2º lugar de crescimento no 1T25.

Vale desce e Petrobras se salva

Julgamentos à parte, Vale (VALE3) parece ter decidido que ia cair hoje e passou a sessão inteira no negativo, até fechar com menos 0,38%, mesmo com o minério de ferro em alta na China.

A balança também ficou positiva para o petróleo internacional e Petrobras (PETR4) usou como álibi para subir 0,51%. As petro juniores foram no mesmo caminho, mas Brava (BRAV3) parece ter sido declarada culpada e perdeu 1,19%, apesar do “crime” de ter renovando pelo segundo mês consecutivo seu recorde de produção.

Banco do Brasil despenca

No banco dos réus também ficaram os grandes bancos, especialmente o Banco do Brasil (BBAS3), com baixa de 3,18%, já que o banco pode ser o mais afetado em caso de condenação de Bolsonaro, uma vez que pode haver mais sanções dos EUA. Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 1,70%, apesar de ter anunciado dividendo adicional e de ter uma projeção ousada para o varejo.

Varejistas também foram acusados por juros futuros mais altos e caíram: Magazine Luiza (MGLU3) cedeu 1,57% após quatro sessões seguidas de alta. Um grande banco manteve recomendação de compra para Lojas Renner (LREN3) e mesmo assim a ação desceu 0,92%.

A Cosan (CSAN3) se safou das acusações e subiu robustos 3,31%, após analistas enxergarem a história como subvalorizada.

Nesta quarta-feira, o Brasil vai colocar em julgamento os dados da produção industrial de julho, com expectativa de baixa de 0,2% mês a mês e de alta de 0,3% ano a ano.

Nos EUA, saem os números do mercado de trabalho JOLTs, e há uma rodada de relatórios de PMI (índice gerente de compras) de Serviços mundo afora.

Ninguém vai condenar o investidor se depois de uma terça-feira dessa quiser relaxar, até porque ainda vai demorar para se bater o martelo de como essa semana termina. 

(Fernando Augusto Lopes)

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