Ibovespa fecha em baixa, mas tem primeira semana positiva, depois de quatro negativas
- porInfoMoney
- 27 de Março / 2026
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| Créditos: Reprodução/Infomoney
Sextou! Mas não há muito o que comemorar, como se vê nas manchetes dos jornais. Amanhã, sábado, a guerra contra o Irã, iniciada pelos EUA e Israel, completa exato um mês. Durante este período, turbulência, discursos de ambos os lados, incertezas crescentes e o preocupações globais com a economia. Não há muita perspectiva pela frente.
Apesar disso tudo, esta foi a primeira semana desde o início do conflito que o Ibovespa teve uma semana positiva: mais 3,03%, a despeito da sexta-feira ter encerrado com menos 0,64%, aos 181.556,76 pontos, uma perda de 1.175,91 pontos.
Um mês depois, mesmo com tanta incerteza, o mercado tenta se acomodar, mas há indícios claros da dificuldade disso. O real, por exemplo, hoje conseguiu nova valorização, com o dólar comercial caindo 0,28%, a R$ 5,241, mas o câmbio vem alternando altas e baixas há quase dez sessões. Os DIs (juros futuros) oscilaram e também não conseguem se firmar em um caminho.
Petróleo acima dos US$ 100
Em Wall Street, nova queda ampla dos principais índices, que têm mostrado uma tendência mais negativa. Na Europa, os mercadores viram prevalecer as perdas, com medo de estagflação.
A única tendência inabalável é mesmo o petróleo, que subiu novamente de forma ampla e o Brent segue acima dos US$ 110. A expectativa que domina é por uma guerra prolongada.
Os EUA sinalizaram a aliados que não há planos imediatos de enviar tropas terrestres para o conflito. Ao mesmo tempo, o Pentágono reforça a ideia de enviar mais contingente. O governo Trump só consegue confirmar factualmente a destruição de um terço do arsenal de mísseis do Irã. Os persas seguem dominando o Estreito de Ormuz, determinando quais navios podem ou não passar.
A economia se inflama. O Índice Mundial de Contêineres (WCI, na sigla em inglês) acumulou sua quarta alta semanal seguida, informou a Drewry, consultoria internacional de supply chain. O indicador alcançou o valor de US$ 2.279 por contêiner de 40 pés, 5% acima do calculado uma semana antes. Segundo a empresa, esse aumento foi sustentado por tarifas mais altas nas rotas Ásia–Europa e Transpacífico.
Os investidores estão no ponto em que querem ver uma resolução concreta para o conflito, em vez de apenas ouvir que “talvez” haja uma solução, disse à CNBC Jay Hatfield, fundador e CEO da Infrastructure Capital Advisors.
Desde o começo da guerra, os três principais índices caíram mais de 7% no acumulado do mês. “Quanto mais tempo o Estreito permanecer fechado, pior ficará o mercado de petróleo. O preço cairá bastante, mas ainda haverá um problema de estoque quando o Estreito reabrir. Portanto, se levar mais um mês para reabrir o Estreito, o petróleo poderá ficar em torno de US$ 80 por um tempo, até que os estoques sejam repostos.”, projetou. “É ruim se não houver uma resolução, mesmo que haja um caminho para ela”.
Com isso, a confiança do consumidor nos EUA caiu em março para o menor nível em três meses.
Mercado de trabalho no Brasil
No Brasil, embora a inflação seja um ponto de alerta, como em todos os países, o tempo parece menos nebuloso: mesmo com o início mais lento da queda de juros do que o esperado, com um corte de 0,25 ponto, a 14,75% ao ano, o país segue sendo uma das poucas grandes economias em processo de corte de juros.
Este é um dos pontos identificados pelos analistas do Itaú BBA, que têm guiando o humor dos investidores em relação à Bolsa brasileira. Há ainda outros dois pontos, um deles é justamente a volatilidade global.
O mercado dedica atenção ao mercado de trabalho, que segue robusto e resiliente no governo Lula. No trimestre terminado em fevereiro, até houve aumento, para 5,8%, mas na comparação dessazonalizada, a queda é grande. “Além disso, o rendimento real continua crescendo, tendo avançado 2% no trimestre findo em fevereiro, enquanto a massa de rendimento ficou estável”, comentou André Valério, economista-sênior do Inter.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o mercado de trabalho segue sem sinais de ruptura, operando em patamar historicamente apertado. “A taxa de desemprego em nova mínima e a massa salarial em recorde reforçam a resiliência da renda das famílias, fator que ajuda a sustentar o consumo, mas mantém pressão sobre os núcleos de inflação de serviços”, afirmou.
Petrobras novamente sobe; Braskem derrete
No campo das ações, pouca coisa mudou. O primeiro mês da guerra foi marcado por Petrobras (PETR4) normalmente em alta, sempre a mais negociada do pregão, e as demais flutuando ao sabor das notícias, mesmo em reta final de temporada de balanças do 4T25.
A estatal petrolífera nacional fechou hoje com mais 2,89%, acompanhando a valorização do petróleo internacional, e acumula em março um ganho de mais de 25% – mas é bom notar que a guerra só foi mais um componente, porque no ano PETR4 já subiu quase 60%.
As outras variaram por notícias alheias à guerra. União Pet, a ex-Petz (AUAU3) ficou no zero, com dados sobre o último trimestre antes da fusão com a Cobasi. Azul (AZUL53) perdeu 1,26%, com 4T25 tendo prejuízo.
Braskem (BRKM5) derreteu 10,84%, com balanço considerado frustrante. Dasa (DASA3) perdeu mais ainda, com margem mais fraca no 4T25: menos 18,48%. Hapvida (HAPV3) desceu 2,52%, com ações rebaixadas para neutra por analistas.
A maioria das ações caiu, mas Vale (VALE3) virou no final, com mais 0,11%.
Os bancos desceram com amplitude e foram os maiores responsáveis pela queda do IBOV nesta sexta: BB (BBAS3) desceu 1,73%, Bradesco (BBDC4) cambaleou 1,59%, Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 1,17% e Santander (SANB11) perdeu 1,01%.
Guerra entra no segundo mês
Foi uma sexta-feira de pouco ânimo, enfim. E semana que vem, com a guerra entrando no segundo mês, pouca perspectiva, por ora, de mudanças no sentimento.
É uma semana, pelo menos, que oferece uma agenda de indicadores mais robusta, especialmente para o mercado de trabalho: tem Caged (segunda-feira), JOLTs (terça-feira), ADP (quarta-feira) e payroll (sexta-feira). No Brasil, ainda sai a produção industrial de fevereiro (quinta-feira). Há pouco o que comemorar, mas descansar é essencial para encarar o que vem pela frente. Sextou?
(Fernando Augusto Lopes)






