Ibovespa consegue segunda alta seguida, com exterior e Vale; Petrobras cai
- porInfoMoney
- 06 de Maio / 2026
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| Créditos: G1 Investing
Agora vai? É o que o mundo se pergunta, após notícias de que Irã e EUA se aproximaram de um acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio, neste teatro que se arrasta por mais de dois meses. Não é a primeira vez que tal possibilidade ocorre e, como das outras vezes, o Ibovespa também respondeu positivamente: agora, alta de 0,50%, aos 187.690,86 pontos, um ganho de 937,04 pontos. Na máxima, chegou a 188.674,36 pontos.
O real não foi tão bem, com o dólar comercial devolvendo parte das perdas da véspera e subindo 0,17%, a R$ 4,921. Os DIs (juros futuros) recuaram por toda a curva.
Negociações nos bastidores, atritos na superfície
A dúvida se agora vai é legítima. Até porque os atores principais atuam de um jeito nos bastidores e de outro no palco principal.
O presidente dos EUA, Donald Trump, segue atuando como um valentão e voltou a ameaçar Irã com bombardeios “maiores do que antes” na falta de acordo. Os iranianos respondem dizendo que trânsito seguro no Estreito de Ormuz só será possível com fim das ameaças dos EUA. Os norte-americanos afirmaram que é o Irã quem quer fechar um acordo.
Na coxia da guerra, o Paquistão afirmou que, sim, as negociações estão avançando, mesmo que o Irã não tenha ainda respondido aos EUA e tenha dito que proposta na mesa é mais lista de desejo do que realidade. O caso é que até a China entrou no circuito e pediu ao Irã a abertura de Ormuz.
O resultado dessas especulações já foi um sucesso de bilheteria: o petróleo fechou com forte baixa e os principais índices em Nova York terminaram com ganhos elásticos. Na Europa, o mesmo movimento: altas que agradaram a plateia.
Temporada de balanços no Brasil
Nos palcos domésticos, a peça principal ainda está atrás das cortinas. O presidente Lula só conversa com Trump amanhã e é isso que o público está esperando.
Por enquanto, há uma trama paralela e não menos importante acontecendo: a temporada de balanços do 1T26.
De ontem para hoje, ninguém menos que o Itaú Unibanco (ITUB4) soltou seus números trimestrais e eles fracassaram em agradar o público: queda de 1,60%. As atenções se voltaram ao índice de inadimplência.
Hoje, é a vez do Bradesco (BBDC4) se apresentar, o último dos grandes bancos a soltar balanço. As ações oscilaram na reta final, mas ficaram com alta de 0,42%. A expectativa é que melhorias consistentes sejam apresentadas e que o lucro líquido cresça dois dígitos na comparação anual.
O Banco do Brasil (BBAS3) e o Santander (SANB11) subiram, com 0,68% e 1,95%, respectivamente.
Foram as quedas de Itaú e de Petrobras (PETR4), esta com 2,86%, que fizeram a apresentação da alta do Ibovespa ser mais tímida. O petróleo em forte baixa contribuiu, mas no caso de PRIO (PRIO3), que perdeu 4,26%, o balanço do 1T26 também atrapalhou, mesmo com lucro líquido maior ano a ano.
De resto, só aplausos. A Vale (VALE3) foi a estrela do dia – tirando as negociações de paz, claro. Com a retomada das negociações do minério de ferro na China, após feriadão local, ações subiram 3,62%. Revisões positivas de analistas ajudaram a elevar o ânimo.
Ambev (ABEV3) teve outro dia de alta, com 1,80%, ampliando os fortes ganhos da véspera, por conta da boa apresentação do balanço.
C&A (CEAB3) ganhou aplausos de pé pelo resultado trimestral e subiu 7,41%. Já TIM (TIMS3) foi vaiada, com baixa de 6,90%. Klabin (KLBN11) perdeu 1,78%, ao reverter lucro e ter prejuízo. O dia na temporada de balanços teve histórias díspares contadas.
E ainda teve o GPA (PCAR3), que viveu um turbilhão de emoções nesta quarta-feira, com altas, baixas, leilões e terminou com menos 1,10%, diante da notícia por acordo com credores para redução de dívida bilionária.
Ninguém sabe de fato se agora vai, mas Trump afirmou que as conversas com o Irã foram “muito boas” e dá um pouco de esperança de um final feliz. Se o último ato deste drama está de fato perto, é para esperar.
Antes das cortinas se fecharem, o investidor ainda terá a produção industrial do Brasil nesta quinta e a possível reunião de Lula com o imprevisível Trump. Essa peça ainda vai render muitas emoções.
(Fernando Augusto Lopes)






