Hezbollah envia 400 comandantes para a América do Sul em meio a desmobilização no Líbano
- porRedação
- 21 de Julho / 2025
- Leitura: em 8 segundos

Cerca de 400 comandantes de campo do grupo armado Hezbollah deixaram o Líbano com destino a países da América do Sul, como Brasil, Colômbia, Venezuela e Equador. A informação é do canal saudita Al Hadath, com base em fonte diplomática latino-americana. Metade dos integrantes já teria desembarcado na região; os demais devem chegar nos próximos dias.
A movimentação coincide com o processo de desarmamento do grupo após a derrota na guerra contra Israel. O presidente libanês, Joseph Aoun, anunciou que 2025 será o ano da centralização do armamento exclusivamente sob o controle do Estado. Desde então, túneis foram lacrados e depósitos de armas do Hezbollah destruídos pelo Exército.
Apesar disso, o grupo afirma que manterá a "resistência armada". Em declaração recente, o dirigente Mahmoud Qamati advertiu que qualquer tentativa de apreender as armas resultaria em retaliação, reafirmando a postura combativa da organização mesmo diante do desmonte interno.
Segundo fontes oficiais, a retirada dos líderes ocorre por temor de que eles se tornem alvos durante a transição para o controle estatal. Ao mesmo tempo, investigações apontam que o Hezbollah já possui uma extensa rede de apoio na América do Sul, com presença identificada em diversos países da região.
Base estratégica e histórico na América do Sul
A presença do Hezbollah na América do Sul remonta à década de 1980, quando o grupo passou a estruturar redes de apoio financeiro e logístico fora do Oriente Médio. A Tríplice Fronteira — região entre Brasil, Argentina e Paraguai — é considerada um dos principais polos dessas atividades. Ciudad del Este, no Paraguai, é apontada por órgãos internacionais como centro de movimentações ilícitas, incluindo contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com recursos enviados ao Líbano.
Dois atentados terroristas atribuídos ao Hezbollah marcaram a atuação do grupo na América do Sul: a explosão da Embaixada de Israel em Buenos Aires, em 1992, que matou 29 pessoas, e o ataque à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994, com 85 mortos e mais de 300 feridos.
No Brasil, apesar de não haver registro de ataques, relatórios da Polícia Federal e de agências estrangeiras apontam a atuação de células de apoio, especialmente em São Paulo, Foz do Iguaçu e áreas da Tríplice Fronteira. Em novembro de 2023, uma operação da PF em conjunto com o Mossad resultou na prisão de dois suspeitos de integrar uma célula que planejaria ataques contra alvos judaicos.
Alerta internacional e reação oficial
A transferência de lideranças experientes do Hezbollah para a América do Sul levanta preocupações sobre a expansão de redes operacionais fora do Oriente Médio. Especialistas veem o movimento como tentativa de garantir a continuidade da influência do grupo em regiões onde a fiscalização é mais frágil.
Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Argentina e Paraguai classificam o Hezbollah como organização terrorista. O Brasil ainda não o reconhece formalmente como tal, o que, segundo analistas, dificulta ações legais mais incisivas.
A consolidação da presença do grupo no continente, em especial após o recente cessar-fogo entre Líbano e Israel, exige vigilância redobrada. Autoridades de segurança alertam para a necessidade de reforço na cooperação internacional e na troca de informações de inteligência.
Conclusão
A migração de comandantes do Hezbollah para a América do Sul representa não apenas uma tentativa de proteção de quadros estratégicos, mas também um esforço para preservar a influência internacional da organização. Com histórico de financiamento ilícito e atentados no continente, o grupo continua sendo uma ameaça silenciosa, mas relevante, exigindo atenção especial dos governos latino-americanos diante da possibilidade de reativação de suas redes no exterior.






