Haiti marca para dezembro primeira eleição em uma década

| Créditos: © Reuters/Andres Martinez Casares/proibida reprodução


O Conselho Eleitoral do Haiti marcou, nesta segunda-feira (27), as primeiras eleições presidenciais em uma década. O pleito está previsto para dezembro, com um segundo turno em fevereiro.

Inicialmente, as eleições seriam em agosto, com segundo turno em dezembro, mas foram adiadas devido a preocupações com a segurança. O Haiti não realiza eleições desde 2016.

Seu último presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado em 2021, após adiar a votação. Governos sucessivos foram encarregados de realizar uma eleição, mas afirmaram que a insegurança em meio a um conflito com poderosas gangues armadas tornou isso impossível.

O conselho publicou nesta segunda-feira um calendário que define o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas do Haiti para 13 de dezembro, com o segundo turno marcado para 21 de fevereiro. Também foi definida a publicação dos resultados finais para 7 de março.

Os cidadãos também deverão votar em emendas à Constituição e eleger representantes locais, segundo o calendário.

O conselho destacou que o calendário depende da “criação de um clima de segurança aceitável e dos recursos financeiros necessários para a realização das operações eleitorais”.

Mais cedo neste mês, o conselho informou que havia iniciado o cadastro de eleitores e o treinamento de agentes de segurança eleitoral, além de ter publicado uma lista definitiva com mais de 300 partidos políticos aprovados para disputar o próximo processo eleitoral.

A violência contínua das gangues deixou os analistas céticos quanto à possibilidade de as novas datas eleitorais serem mantidas. Os efeitos em cadeia incluem escassez crônica de alimentos, extorsão, sequestros por resgate e deslocamentos forçados, acumulando ainda mais desafios para garantir uma votação livre e justa. Cerca de 12% da população do Haiti vive em acampamentos improvisados ou com famílias anfitriãs.

Gangues armadas violentas, em grande parte agrupadas sob uma ampla aliança conhecida como Viv Ansanm, assumiram o controle da maior parte da capital, Porto Príncipe, cuja região metropolitana abriga cerca de um quarto da população. As gangues também se expandiram para o centro e as áreas rurais do Haiti.

A Viv Ansanm, que vem buscando reconhecimento político, foi designada como organização terrorista por Washington e é acusada de sequestros em massa, estupros coletivos, incêndios criminosos, assassinatos indiscriminados e tráfico de armas, órgãos e drogas.

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