Habitação: Espanha antecipa eleições; sindicatos chamam à greve geral
- porAgência Brasil
- 07 de Outubro / 2026
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| Créditos: © Juan Barbosa/Reuters/proibida reprodução
As duas principais centrais sindicais espanholas anunciaram uma greve geral pela crise no setor habitacional para o dia 11 de novembro, às vésperas do início da campanha para as eleições legislativas antecipadas. 

Na segunda-feira (5), o presidente Pedro Sánchez convocou eleições para 29 de novembro. A decisão do socialista foi anunciada dois dias depois de o Parlamento espanhol ter derrubado decretos com medidas para a habitação, e na sequência de protestos diários contra ações de despejo.
Esta vai ser a primeira greve geral no país em 14 anos e responde a um apelo das associações reunidas na Confederação de Sindicatos de Inquilinas, que defendem o direito à habitação e têm mobilizado milhares de pessoas em protestos diários nas ruas desde 23 de setembro.
"Vamos nos juntar no dia 11, tal como todos estes coletivos têm vindo a definir, com a convocatória de uma greve geral", disse o secretário-geral da central sindical UGT, Pepe Álvarez.
A data foi acertada com a outra grande central sindical espanhola, a CCOO (Comisiones Obreras), e será uma paralisação de 24 horas, acrescentou.
Pepe Álvarez afirmou que a greve geral responde ao apelo das associações Sindicatos de Inquilinas e reivindica "salários dignos para uma moradia digna".
Críticas
As associações empresariais criticaram o anúncio, lançando dúvidas sobre a legalidade – por considerarem que não se trata de uma questão laboral – e questionando o oportunismo do movimento, quando o governo acaba de convocar eleições.
A greve tem um "claro componente político e eleitoral" e parece ter mais como alvo a oposição do que o Governo do socialista Pedro Sánchez, disse o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi.
Também os maiores partidos da oposição, o Partido Popular (PP, direita) e o Vox (extrema-direita), criticaram a greve, destacando também o momento e por se tratar da primeira convocada desde que Sánchez chegou ao poder, em 2018.
"É uma decisão eminentemente política com a intenção de favorecer a ação política de Pedro Sánchez", defendeu hoje o porta-voz do PP, Borja Sémper.
O PP realça que "os sindicatos acordaram" após oito anos de governos liderados por Sánchez, cujo "grande fracasso" é a habitação, com os preços dos imóveis e dos aluguéis tendo disparado nos últimos anos.
Ao comentar a convocação para a greve, o primeiro-ministro e líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, disse o movimento paredista "afeta muitos trabalhadores e trabalhadoras e suas respectivas famílias" e que, portanto, "a única coisa que o Governo pode fazer é respeitar esse direito constitucional".
A última greve geral no país convocada por UGT e CCOO foi em 2012.






