Greve de 100% dos ônibus em Campo Grande causa caos e preços de transporte por app disparam até 140%
- porRedação
- 16 de Dezembro / 2025
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A paralisação completa dos motoristas de ônibus em Campo Grande (MS) nesta segunda-feira (15) gerou consequências imediatas na mobilidade urbana. A greve, que afetou cerca de 110 mil usuários, resultou em congestionamento e elevou drasticamente os custos do transporte alternativo, como os aplicativos de corrida.
Impacto para o Cidadão e Disputa Judicial
Usuários relataram que as viagens por aplicativos ficaram até 140% mais caras, com aumentos que fizeram corridas habituais de R$ 25 chegarem a R$ 60. Além da elevação dos preços, a alta demanda provocou longos tempos de espera por motoristas e contribuiu para um trânsito "caótico", mesmo para quem utilizou veículos particulares.
A paralisação ocorreu em desacordo com uma determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que havia ordenado a manutenção de 30% da frota circulando. O descumprimento integral da ordem sujeita o movimento a uma multa diária de R$ 20 mil. Uma audiência de conciliação foi marcada para esta terça-feira (16) na tentativa de resolver o impasse.
Acusações Mútuas entre Consórcio e Prefeitura
O Consórcio Guaicurus, responsável pelo serviço, emitiu nota alegando que a crise financeira impede o pagamento de salários, 13º e custos operacionais, como combustível e manutenção. A empresa atribui a crise à inadimplência da Prefeitura de Campo Grande no repasse de subsídios e valores referentes a componentes tarifários, essenciais para o equilíbrio econômico-financeiro do sistema.
Por sua vez, a Prefeitura negou qualquer débito, refutando as alegações e destacando que antecipou R$ 3 milhões em repasses de subvenções na semana anterior para evitar a greve. O Executivo municipal criticou a concessionária, uma empresa privada, por não honrar seus compromissos com os funcionários e a população, mesmo após ter recebido mais de R$ 35 milhões em repasses neste ano, incluindo valores de vale-transporte e gratuidades.
Reações Políticas
Membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo manifestaram-se, criticando a atuação do Consórcio. Vereadores apontaram má gestão e a precariedade da frota (com 197 ônibus acima da idade média permitida), questionando a alegação de falta de recursos de uma empresa que teria faturado cerca de R$ 1,8 bilhão desde o início do contrato. Parlamentares pediram a intervenção ou o rompimento imediato do contrato de concessão.






