Governo de SP declara “Fim da Cracolândia”, mas críticos apontam dispersão do fluxo de usuários

| Créditos: Foto: João Valério/Governo de SP e William Cardoso/Metrópoles


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou que o estado atingiu o objetivo de "celebrar o fim da Cracolândia" na capital paulista, citando a desmobilização da cena aberta de uso de drogas que persistia por mais de trinta anos na região central da cidade.

A afirmação do governo baseia-se na significativa redução do número de usuários concentrados em pontos tradicionais, como a Rua dos Protestantes, resultado de uma série de ações coordenadas. Tarcísio e o vice-governador Felício Ramuth têm enfatizado que a mudança é fruto de um trabalho integrado entre segurança pública, saúde e assistência social, visando desmantelar o "ecossistema criminoso" que se beneficia do tráfico na região.

| Créditos: Foto: Willian Cardoso/Metrópoles

O plano inclui a intensificação do combate ao crime organizado e a ampliação da política de acolhimento, com oferta de tratamento e moradia. O governo tem destacado a entrega de apartamentos e auxílios a dependentes químicos que aceitam deixar a situação de rua.

Contraponto e Dispersão

| Créditos: Foto: Willian Cardoso/Metrópoles

Apesar da postura otimista do governo, a declaração de "fim" é alvo de contestação por parte de especialistas, sociólogos e grupos de assistência social que atuam na área. Esses críticos argumentam que a concentração de usuários de drogas não foi extinta, mas meramente dispersada.

Segundo relatos de ONGs e de moradores, a intensificação das operações policiais e a violência empregada resultaram na migração dos dependentes químicos para novos pequenos grupos em locais periféricos e distantes do centro, como viadutos e bairros com menor visibilidade.

O sociólogo Marcos Maia, citado pela imprensa, e outros membros de movimentos sociais, afirmam que a dispersão agrava o problema ao dificultar o acesso e o acompanhamento das equipes de saúde, que antes tinham um ponto de referência para a atuação. Eles caracterizam a política em vigor como "higienista" e alertam que a Cracolândia não pode ser resolvida apenas com força policial, mas sim com políticas contínuas de saúde, moradia e assistência social.

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