Gleisi afirma que Lewandowski informou Lula sobre contratos privados

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (28) que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski informou previamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre contratos de consultoria que mantinha na iniciativa privada antes de ser convidado para integrar o governo federal. Entre esses contratos, estava um vínculo com o Banco Master.

Em conversa com jornalistas, Gleisi explicou que Lewandowski comunicou ao presidente a existência de atividades privadas e adotou todas as providências exigidas pela legislação para assumir o cargo, incluindo o desligamento da consultoria e o afastamento do escritório de advocacia do qual fazia parte. Segundo a ministra, esse procedimento ocorreu antes da posse e não configurou qualquer impedimento legal.

“Quando o presidente convidou o ministro, ele tinha contrato de consultoria com o Master. Ele informou ao presidente e adotou todas as medidas necessárias para assumir o cargo, como manda a lei”, afirmou Gleisi. Questionada se Lula foi informado especificamente sobre o contrato com o Banco Master, a ministra disse não ter certeza, mas reforçou que o ex-ministro comunicou sobre suas atividades privadas de forma geral. “Ele deve ter comentado. Mas isso não é um impeditivo”, declarou.

Gleisi também ressaltou que todas as investigações envolvendo o Banco Master vieram à tona e estão sendo conduzidas durante o atual governo. Segundo ela, a Polícia Federal, que esteve sob o comando de Lewandowski enquanto ele ocupou o Ministério da Justiça, foi responsável por apurar o caso. “A relação que o governo tem é a fiscalização rigorosa do que aconteceu e a responsabilização. Em nenhum momento o governo titubeou sobre isso”, disse.

Ao comentar a reunião do presidente Lula com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizada em dezembro de 2024 fora da agenda oficial, a ministra minimizou o episódio. Segundo Gleisi, encontros desse tipo fazem parte da rotina do chefe do Executivo. “O presidente recebe muita gente, recebe muitos donos de bancos, muita gente do mercado financeiro”, afirmou.

Ela também destacou que, durante o governo Lula, ocorreram medidas duras contra a instituição financeira. “Foi no nosso governo que o dono do Master foi preso, foi no nosso governo que houve a liquidação e é no nosso governo que está sendo feita a investigação rigorosa pela Polícia Federal”, acrescentou.

Na avaliação da ministra, a oposição tem mais explicações a dar sobre o caso do que o próprio governo federal. Gleisi citou aplicações de fundos de pensão ligados a governos estaduais comandados por grupos políticos de direita e mencionou relações de pessoas ligadas ao Banco Master com campanhas eleitorais da oposição. “Quem tinha relação com o Master eram eles, isso está claro”, afirmou.

Apesar das críticas, Gleisi evitou citar nominalmente políticos de Brasília e minimizou possíveis conexões do banqueiro com integrantes do PT, reforçando que as apurações seguem critérios técnicos e legais.

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