Gêmeos de 12 anos catalogam quase 80 espécies de aves no quintal de casa em Campo Grande
- porRedação
- 10 de Março / 2026
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Enquanto líderes mundiais se preparam para discutir a proteção da biodiversidade durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15/CMS), que será realizada nos próximos dias em Campo Grande, um exemplo de preservação ambiental começa dentro de casa. No bairro Jardim Veraneio, dois irmãos transformaram a curiosidade pela natureza em um verdadeiro levantamento sobre as aves que visitam o quintal da família.
Os gêmeos Caíque e Cauê Possas, de 12 anos, passaram a observar e registrar as espécies que aparecem diariamente na residência onde vivem, cercada por árvores frutíferas e espécies nativas do Cerrado, como a embaúba — planta que produz frutos durante praticamente todo o ano e atrai diversas aves.
Curiosidade que começou na infância
Segundo os irmãos, o interesse pela observação de aves surgiu ainda na infância, influenciado pela mãe, a bióloga e professora da rede municipal Cíntia Possas, que costumava levá-los para atividades em parques da cidade.
“Desde pequeno eu sempre passarinhava com a minha mãe. Quando a gente era bebê ela já levava a gente para o parque para observar as aves. Conforme fomos crescendo, fomos pegando o costume dela e começamos a passarinhar também”, conta Caíque.
Com o tempo, os passeios deram lugar a um novo hábito: observar as aves diretamente do quintal de casa. Foi então que os irmãos perceberam que a diversidade era muito maior do que imaginavam.
“A gente já tinha percebido que apareciam algumas espécies, mas quando começamos a observar com mais atenção vimos que tinha muito mais do que a gente achava”, explica Cauê.
Observação ao amanhecer
As observações geralmente acontecem nas primeiras horas da manhã, quando as aves estão mais ativas.
“De manhãzinha, por volta das seis ou sete horas, é quando elas aparecem mais. É o horário que saem para procurar alimento”, detalha Caíque.
Para identificar as espécies, os irmãos utilizam aplicativos que reconhecem o canto das aves, além de registrar as informações em planilhas no computador.
“Usamos um aplicativo que identifica pelo som. Depois registramos em outro aplicativo e organizamos tudo em uma lista”, conta Cauê.
Diversidade surpreendente
O levantamento revelou uma diversidade inesperada. Inicialmente, os gêmeos identificaram 78 espécies diferentes, número que atualmente já chega perto de 80 aves registradas no mesmo quintal.
Entre as espécies observadas estão aves típicas da região e também migratórias, como o Saí-andorinha, a Tesourinha, o Bem-te-vi-rajado, o Príncipe e o Suiriri.
Outras espécies que chamaram a atenção dos irmãos foram o Papagaio-verdadeiro, o Papagaio-galego e diferentes tipos de beija-flores.
Jardim que atrai visitantes
Segundo a mãe dos gêmeos, a variedade de plantas no quintal ajuda a explicar a grande presença de aves.
“No nosso quintal temos pitanga, acerola, amora, goiaba, jabuticaba, além de ipê e outras árvores nativas do Cerrado. Isso atrai muitas aves, porque elas encontram alimento e um lugar seguro para pousar”, explica Cíntia.
Do hobby à pesquisa científica
O interesse dos irmãos acabou se transformando em projeto científico. Em 2024, eles conquistaram o primeiro lugar na Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências de Mato Grosso do Sul (FETEC-Jr) com o projeto “As aves do quintal”, que reúne os registros realizados ao longo das observações.
Para a mãe, acompanhar o desenvolvimento desse interesse tem sido gratificante.
“A observação de aves é uma atividade simples, que pode ser feita em parques, praças e até no quintal de casa. Ver que isso despertou neles esse interesse pela ciência é muito especial”, afirma.
Campo Grande recebe encontro internacional
Entre os dias 23 e 29 de março de 2026, Campo Grande sediará a COP15/CMS, evento promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) voltado à conservação de espécies migratórias.
Para Cíntia, a realização do encontro na cidade reforça a importância de valorizar a biodiversidade local.
“Quando as pessoas percebem que aves que cruzam continentes passam por aqui, nos parques ou até nos quintais, elas entendem melhor a importância de preservar as áreas verdes”, destaca.
A família também pretende participar das atividades relacionadas ao evento, levando a experiência dos gêmeos como exemplo de como a conexão com a natureza pode começar dentro de casa.






