Gaeco realiza diligências para localizar ex-deputado condenado em ação sobre organização criminosa em MS

| Créditos: Reprodução/Redes Sociais


Integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público, realizaram uma ação na manhã de quarta-feira (8) em um imóvel pertencente ao pai do ex-parlamentar Neno Razuk, localizado no município de Dourados. O ex-deputado, que recentemente perdeu o foro privilegiado, não foi encontrado no local pelas equipes de investigação.

A defesa do ex-parlamentar, representada pelo advogado Ricardo Pereira, confirmou a presença dos agentes na residência de Roberto Razuk, também ex-deputado. Contudo, o defensor afirmou não ter tido acesso aos detalhes do processo para esclarecer se a movimentação policial consistia no cumprimento de uma ordem de prisão preventiva ou definitiva.

Perda de mandato e histórico judicial

Neno Razuk exerceu o cargo de deputado estadual em Mato Grosso do Sul pelo Partido Liberal (PL) até maio deste ano. Ele deixou a Assembleia Legislativa após uma recontagem eleitoral decorrente da anulação de votos de outra candidata da legenda, Raquelle Trutis, o que alterou o quociente partidário e transferiu a vaga para João César Mattogrosso (PSDB).

No âmbito judicial, o ex-político foi condenado em primeira instância em dezembro do ano passado pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande, recebendo uma pena de 15 anos e sete meses de reclusão. A sentença decorre das investigações da Operação Successione, que apurou a existência de um grupo armado voltado à exploração do jogo do bicho, além de crimes de roubo majorado e corrupção.

De acordo com as investigações que embasaram a condenação, o esquema envolvia assaltos à mão armada contra motociclistas que recolhiam valores de apostas ilegais, com o suposto objetivo de intimidar uma facção concorrente pelo controle da atividade na capital sul-mato-grossense.

Situação processual e bastidores políticos

Apesar da condenação imposta no fim de 2025, a Justiça havia concedido ao réu o direito de recorrer da decisão em liberdade. Em janeiro deste ano, recursos de embargos de declaração movidos pela defesa foram rejeitados. O processo segue em tramitação nas instâncias superiores e, legalmente, vigora o princípio da presunção de inocência até o trânsito em julgado. Todavia, a recente ofensiva do Gaeco aponta para uma possível revisão das medidas cautelares ou expedição de um novo decreto judicial.

No cenário político, relatos de bastidores apontam que, logo após a perda do mandato na Assembleia Legislativa, Razuk teria expressado a colegas o receio de ser detido sem a prerrogativa do cargo e cogitado sair do país. Desde então, ele reduziu consideravelmente o contato com antigos aliados políticos, gerando incertezas sobre a continuidade de seus planos eleitorais para uma vaga na Câmara dos Deputados.

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