Funcionário público municipal e educador social é acusado de tentativa de feminicídio

| Créditos: Foto: Correio do MS


Em 9 de dezembro de 2024, a assistente social Sonia Barcelá Ferreira, 42 anos, sobreviveu a uma tentativa de feminicídio supostamente cometida por seu ex-companheiro, um educador social concursado do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) no município de Nova Alvorada do Sul. O caso, que envolve agressões físicas, psicológicas e falhas na rede de proteção, foi registrado como feminicídio na forma tentada, mas o agressor segue em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica.

Cronologia da Violência

Sonia relatou à redação do Conteúdo MS, que o relacionamento, iniciado em dezembro de 2023, tornou-se abusivo em poucos meses. O servidor público, que segundo Sonia, usava veículo da prefeitura para transporte pessoal, controlava seus movimentos, isolava-a socialmente e a agredia verbal e fisicamente, incluindo empurrões, xingamentos e ameaças. Em maio de 2024, ele atropelou e matou seu gato de estimação, culpando-a pelo ocorrido.

Em outubro, após uma overdose de medicamentos para "evitar agressões", Sonia foi hospitalizada. Mesmo após internação, retornou ao convívio com o agressor, que continuou com humilhações e controle financeiro.

 

Falhas no Atendimento

Ao buscar ajuda na Coordenadoria de Políticas para Mulheres do município, Sonia afirma ter sido desencorajada a registrar ocorrência. No dia do crime, quando o agressor a ameaçou com uma faca, a técnica da Sala Lilás (equipe especializada) quebrou o sigilo, informando a ele sobre seu paradeiro. O Boletim de Ocorrência inicial foi registrado apenas como ameaça, e servidoras municipais teriam pressionado a vítima a deixar a cidade.

Histórico do Agressor

Investigação da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande revelou que o acusado tem passagens por violência contra outras mulheres, incluindo ex-companheiras e até a própria filha. Duas vítimas anteriores teriam deixado o estado sob ameaça de morte. 

Apesar disso, ele não foi afastado do cargo público e participa de campanhas contra a violência à mulher.

Situação Atual

Sonia obteve medida protetiva e dispositivo do pânico, mas segue sob risco: o agressor sabe seu endereço e já tentou invadir sua casa. Três servidoras municipais (cargos comissionados) estão sendo investigadas por fraude processual após interferências no caso.

Questionada se gostaria de fazer a denúncia anônima ao Conteúdo MS, Sonia disse, “O sigilo não protege a vítima, protege o agressor, precisamos de profissionais qualificados, não de acordos políticos."

O Ministério Público de MS já formalizou a denúncia, mas o julgamento ainda não tem data. Enquanto isso, o acusado continua trabalhando no CREAS, sob monitoramento eletrônico.

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