Frigoríficos de MS redirecionam carne bovina para China e Oriente Médio após taxação dos EUA

Justiça deu prazo de dois dias para o frigorífico Beta Carnes Alimentos Ltda | Créditos: Ilustrativa


As plantas frigoríficas de Mato Grosso do Sul que exportam carne bovina para os Estados Unidos já redirecionaram sua produção para outros mercados, como China, Chile, Oriente Médio e Filipinas. O grupo JBS, maior exportador do estado, confirmou o movimento, seguido por Minerva e Naturafrig.

A medida é uma resposta à decisão do governo norte-americano de taxar em 50% as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto. Segundo Alberto Sérgio Capuci, vice-presidente do Sicadems, os frigoríficos já normalizaram os abates e ajustaram os destinos da produção.

Dados do Mdic mostram que as exportações de MS para os EUA somaram US$ 315 milhões no primeiro semestre de 2024, alta de 11,4% em relação a 2023. A carne bovina teve crescimento de 78%, passando de US$ 81,4 milhões para US$ 145,2 milhões no mesmo período.

Impacto no mercado interno
Enquanto as indústrias se adaptam, o preço da arroba do boi gordo caiu 6% em uma semana, chegando a R$ 285,65. A UNP manifestou preocupação moderada com a taxação, mas criticou frigoríficos por usarem o cenário para pressionar a queda dos preços.

Paulo Matos, presidente da Nelore-MS, afirmou que os EUA representam apenas 2,3% da produção brasileira e acusou a indústria de transferir custos ao produtor. Segundo ele, mesmo uma queda de 70% nas exportações geraria um excedente de 160 mil toneladas anuais, sem justificar um colapso no mercado interno.

Especialistas avaliam que, embora haja efeitos negativos no curto prazo, a normalização do comércio deve ocorrer a médio e longo prazos. O status de MS como área livre de aftosa sem vacinação pode abrir novos mercados, amenizando os impactos.

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