Flávio Bolsonaro aposta em reservas minerais, enquanto Lula prioriza Petrobras para reduzir importação de fertilizantes
- porCNN
- 15 de Outubro / 2026
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| Créditos: Fabiano Bastos/Embrapa
Os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendem ampliar a produção brasileira de fertilizantes para diminuir a dependência do mercado externo. Apesar do objetivo comum, os dois apresentam estratégias diferentes para fortalecer o setor e reduzir os custos do agronegócio.
Flávio Bolsonaro propõe explorar reservas nacionais de potássio e fosfato, além de ampliar a infraestrutura de transporte de gás natural e incentivar a fabricação de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. Seu plano também prevê facilitar a exploração de gás não convencional por meio do fraturamento hidráulico, técnica que enfrenta críticas ambientais.
A proposta, entretanto, não estabelece metas de produção, valores de investimento ou prazos para a execução dos projetos. O Brasil também enfrenta limitações na produção nacional de potássio, que representa menos de 3% do consumo interno, segundo dados do setor.
Já Lula aposta na retomada da produção industrial, com participação da Petrobras, e no incentivo aos bioinsumos, alternativas que podem contribuir para reduzir o uso de fertilizantes químicos importados.
O programa do petista prevê a continuidade da produção em unidades industriais de Sergipe, Bahia e Paraná, além da conclusão das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O empreendimento tem previsão de investimentos superiores a R$ 5 bilhões.
A estratégia também inclui estímulos à agroecologia, à agricultura familiar e à produção orgânica, além da atração de indústrias para regiões como o Nordeste, utilizando fontes renováveis de energia.
Dependência externa preocupa o agronegócio
O Brasil está entre os maiores consumidores mundiais de fertilizantes e ainda depende fortemente de fornecedores estrangeiros. Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 73% da demanda nacional pelo insumo.
O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, estabeleceu a meta de elevar a participação da produção nacional para atender entre 45% e 50% da demanda brasileira até 2050.
Apesar das diferenças entre os programas de Flávio Bolsonaro e Lula, nenhum dos dois apresenta metas quantitativas específicas para ampliar a participação da indústria nacional no abastecimento interno, nem um cronograma completo de investimentos exclusivos para o setor.
A redução da dependência externa é considerada estratégica para o agronegócio, pois as oscilações internacionais de preços e as dificuldades de abastecimento podem elevar os custos de produção e afetar a competitividade dos produtores brasileiros.






