Feminicídios voltam a crescer em Mato Grosso do Sul e acendem alerta sobre violência de gênero

| Créditos: Divulgação

Mato Grosso do Sul apresentou uma oscilação preocupante nos índices de feminicídio nos últimos quatro anos, conforme dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, mantido pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) em parceria com a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). Apesar de avanços pontuais, o cenário recente indica retomada da alta desse tipo de crime no Estado.

Em 2025, o ano já começou com o registro de um feminicídio, ocorrido em Bela Vista no dia 16 de janeiro. O caso interrompeu um período considerado positivo, em que o Estado não havia registrado mortes dessa natureza nos primeiros dias do ano. A ocorrência, embora isolada no calendário, insere-se em um contexto mais amplo de violência contra a mulher.

Nos primeiros 17 dias do ano, quase 900 denúncias de violência doméstica e outros crimes contra mulheres foram registradas em Mato Grosso do Sul, o que representa uma média superior a 50 ocorrências por dia. Os números reforçam a dimensão do problema e a persistência da violência de gênero no cotidiano das famílias sul-mato-grossenses.

O histórico recente revela oscilações significativas. Em 2022, o Estado contabilizou 44 feminicídios. Em 2023, houve uma queda expressiva, com 30 casos registrados. No entanto, a redução não se sustentou: em 2024, o número voltou a subir para 34, e em 2025 chegou a 39 mortes, configurando o terceiro pior ano desde a criação da Lei do Feminicídio.

Especialistas e autoridades apontam que os dados demonstram uma tendência de crescimento após um período de redução, evidenciando que, apesar da existência de políticas públicas, programas de prevenção e redes de proteção, a violência contra a mulher segue como um problema estrutural no Estado.

O Monitor da Violência Contra a Mulher também destaca que Mato Grosso do Sul continua registrando centenas de denúncias diárias de agressões e ameaças, o que reforça a necessidade de ampliar ações preventivas, fortalecer a fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e intensificar campanhas de conscientização e enfrentamento à violência de gênero.
 

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