Falas de Javier Milei contra Lula e Moraes ganham destaque na imprensa internacional

O presidente argentino Javier Milei e o senador brasileiro Flavio Bolsonaro, que deve ser anunciado como candidato nas eleições presidenciais do Brasil, participam da convenção nacional do Partido Liberal (PL) em São Paulo, Brasil, em 25 de julho de 2026. | Créditos: REUTERS/Jean Carniel


As declarações do presidente argentino, Javier Milei, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante a convenção do Partido Liberal (PL), no sábado, repercutiram na imprensa internacional nesta segunda-feira.

A agência Reuters informou que o governo brasileiro tratou as falas como uma “afronta direta”, e destacou que Milei não buscou contato com o governo brasileiro em nenhuma das viagens que fez ao país, já que a relação entre os dois é “praticamente inexistente”. A AFP citou uma fonte diplomática brasileira segundo a qual Milei ofendeu os Poderes da República, o povo brasileiro e a democracia do país

Na Argentina, o La Nación informou que o governo de Milei não pretende pedir desculpas a Lula, e que, segundo fontes ouvidas pelo jornal, o silêncio seria uma forma de esfriar a crise. Fontes diplomáticas argentinas avaliam que o desgaste não deve se aprofundar, diante da proximidade da eleição brasileira.

O site especializado MercoPress chamou a medida de a resposta diplomática “mais dura entre os dois países em anos”, e lembrou que Brasil e Argentina são os dois maiores sócios do Mercosul e parceiros comerciais entre si.

Já o Infobae listou os termos usados por Milei contra Lula – “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista” – e informou que o Itamaraty decide, em reunião nesta segunda, se toma novas medidas contra a Argentina nas próximas 48 horas.

O governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas, em um gesto diplomático de forte descontentamento. O diplomata desembarcou em Brasília nesta segunda-feira e deve se reunir com o chanceler Mauro Vieira até quarta-feira para discutir a crise entre os dois países.

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