Exposição de crianças nas redes sociais gera debate sobre exploração e riscos ao desenvolvimento infantil
- porRedação
- 14 de Agosto / 2025
- Leitura: em 8 segundos

Na última quarta-feira (6), o influenciador digital Felca (Felipe Bressanim Pereira) publicou um vídeo denunciando a adultização e a exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais. Com quase 50 minutos de duração, o conteúdo expôs práticas como a monetização da imagem de menores, a erotização precoce e os riscos do sharenting—quando pais compartilham excessivamente a vida dos filhos online.
Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024 mostram que 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos acessam a internet, sendo que 83% possuem perfis em plataformas digitais. Um estudo da Unico e do Instituto Locomotiva revelou ainda que um terço das contas atribuídas a menores de idade no Brasil têm perfil "totalmente aberto", aumentando sua vulnerabilidade.
Em entrevista ao R7, a professora Nara Helena Lopes, especialista em psicologia digital da USP, alertou para os impactos da hiperexposição:
Erotização precoce: Crianças expostas a conteúdos sexualizados podem desenvolver uma visão distorcida do próprio corpo, afetando sua identidade e saúde mental.
Riscos de exploração: A falta de controle sobre imagens compartilhadas pode facilitar o acesso de criminosos e perpetuar ciclos de violência.
Consequências neurológicas: Estudos indicam que o uso excessivo de telas prejudica o desenvolvimento cerebral, incluindo redução da matéria cinzenta e aumento do cortisol.
Soluções possíveis:
Nara defende maior regulamentação governamental e conscientização dos pais sobre os perigos da exposição online. "Celular não é babá. Crianças não têm maturidade para discernir riscos sozinhas", afirmou. Ela sugere o uso de redes privadas e aplicativos com termos de uso rígidos para proteger a privacidade dos menores.
Panorama atual:
A especialista critica a naturalização do trabalho infantil digital, em que crianças viram "influenciadores" sem compreender as consequências. "Elas podem crescer objetificando seu corpo e dependendo de validação virtual, o que impacta relações reais no futuro", explicou.
O debate ganha urgência diante do crescimento de perfis infantis monetizados—um problema que envolve pais, plataformas e autoridades na busca por um equilíbrio entre liberdade e proteção.
(Entrevista completa disponível no site do R7)






